sexta-feira, 12 de julho de 2013

RN Nuzlocke LG - Capítulo 34: Mew-2

     RECINTO NERD NUZLOCKE - LEAF GREEN - 

CAPÍTULO 34: MEW-2

     Finalmente chegaram em Cinnabar, uma ilha vulcânica recente, pequena e cheia. Prédios e casas decoravam cada acre que conseguiam encontrar, dando espaço apenas para vegetações rasteiras e o grande vulcão no centro do lugar. Sophie deixou Kari na praia, e a garota imediatamente se dirigiu até o ginásio.

     Lá chegando, estranhou o fato da área parecer vazia. Normalmente havia pelo menos algum tipo de movimento nos arredores de uma construção daquelas, mas desta vez nenhuma alma viva se importava de aparecer. A garota encolheu os ombros e continuou, encarando de frente o prédio. Ele era construído bem perto da única elevação montanhosa de Cinnabar, e parecia adentrar a formação da natureza. Kari se aproximou da enorme porta de metal dupla e bateu várias vezes, gritando enquanto fazia isso.

     - BLAINE? BLAINE, APAREÇA! - A garota já não tinha paciência antes de chegar no lugar, irritada por não saber se poderia disputar ou não. Ela odiava ficar no escuro, e parte de si preferia que o ginásio fosse simplesmente fechado, ao invés da complicação enrolada a que se submetera. O pensamento estava em sua cabeça desde que saíra de Fuschia, e havia chegado no ápice naquele momento.

     - Ele não irá aparecer. - Disse uma voz atrás dela. A garota se sobressaltou, virando o corpo em sequência. Havia um homem idoso em pé, apoiado em uma bengala de madeira. - Peço perdão por assustá-la. - Adiantou ele. - No entanto, creio que esteja em uma batalha perdida. Blaine se trancou aí dentro faz oito meses, e não sai nem para comprar comida. Eu sou o responsável por alimentá-lo. - Ele levantou a mão, e Kari viu que carregava uma sacola de comida.

     - Quem é você? - Perguntou a garota, deixando o velho se aproximar do ginásio.

     - Eu era o porteiro daqui. - Disse ele, colocando o pacote em uma fresta na porta. A portinhola balançou audivelmente. - Portanto, posso confirmar que muitos treinadores ficaram bastante irritados. Por muitas semanas houveram confusões na porta do ginásio, e representantes da própria Liga Pokémon vieram para confrontá-lo. No entanto, Blaine, por ser o mais velho e experiente dos líderes de ginásio, conseguiu enrolá-los. Ninguém sabe o que deu nele... - Ele deixou a voz cair, encarando tristemente a porta de metal.

     - Então... eu deveria fazer o quê? - Kari sabia que a culpa não era do homem idoso, mas sua tensão estava no limite.

     - Vários treinadores começaram a ajudar o Centro de Pesquisa Pré-Histórica daqui. Chegamos a concorrer com o próprio Museu de Pewter em artigos científicos, o que nos dá muito orgulho. - Ele se virou para ela, se ajeitando em sua bengala. - Outros decidiram tomar os mares, onde disseram que iriam treinar até o momento certo. Houveram pessoas que desistiram, também. - O velhinho começou a andar, deixando a garota para trás. - Faça o que quiser fazer. Apenas acho que Blaine não irá responder tão cedo.

     Kari ficou sozinha, exalando fúria. Havia chegado tão longe apenas para estancar? E, sobretudo, por algo que estava fora de seu controle? Estava considerando esmurrar a porta de novo, quando algo brilhou em seu campo de visão. Quando virou a cabeça, percebeu que era um rabo rosa e longo sumindo atrás de uma esquina.

     Mew? Ela se adiantou, correndo os últimos metros. Quando virou a rua, avistou novamente o rabo rosa sumir à sua frente. Entrou em perseguição, correndo pelas ruelas e pontes até chegar aos arredores de uma grande mansão acabada, onde uma pequena figura estava parada no teto. Quando ela chegou perto da porta, a mancha rosa vibrou e sumiu, deixando-a novamente sozinha. Kari parou para se apoiar nos joelhos e respirar fundo, inclinando a cabeça para descobrir aonde estava. 

     A mansão à sua frente era gigantesca, cobrindo quase quatro andares e várias dezenas de metros de comprimento. No entanto, parecia ter conhecido dias melhores. Buracos e manchas de incêndio decoravam macabramente as paredes, e não havia uma janela sem vidros quebrados. A garota olhou ao redor, sem conseguir encontrar ninguém. O vento balançou ao seu redor, agitando caibros bambos e cortinas rasgadas. Ela engoliu em seco, apoiando a mão na porta de madeira rachada. Captou uma mancha rosa lá dentro, e quase caiu para trás de susto. A porta se fechou novamente, e ela respirou várias vezes antes de continuar. Bem, pensou Kari, enquanto entrava na mansão. Acho que alguém quer que eu vá para cá. O mistério era muito tentador para afastá-la, e de qualquer jeito, não tinha nada a perder.

     Por dentro as coisas pareciam muito piores do que do lado de fora. Móveis estavam estraçalhados por todos os lugares, e a poeira dançava nos raios de sol. A criatura rosada estava no fim de um corredor perpendicular ao átrio. A garota o seguiu, e viu que havia uma escada em espiral que subia no fim da galeria. Continuou para cima, se encontrando em um novo corredor que possuía apenas uma porta de madeira escura, surpreendentemente em bom estado de conservação. O Pokémon misterioso tocou com sua pequena mão a fechadura, que soltou um clique. Ele encarou a garota, seus olhos azuis encarando os verdes sem piscar por um instante que pareceu anos. Finalmente, ele vibrou no ar e desapareceu.

     Kari se adiantou, abrindo a porta. Algo fazia os pêlos de sua nuca arrepiarem enquanto ela olhava ao redor. O quarto era pequeno, e possuía apenas uma mesa decorada no centro, um tapete verde embaixo, uma cadeira simples e um grande livro no topo. A garota o pegou, abrindo-o curiosa. Na contra-capa havia um nome escrito à mão, com os dizeres: “A vida de Katsura Blaine, escrita pelo próprio.”.

     - Ah! - Se assustou a garota quando as páginas começaram a se mexer em suas mãos, como se um vento estivesse as balançando. Ela deixou o livro cair em cima da mesa, e as folhas se agitaram até pararem em uma página no fim do livro. Ela olhou para os lados, agitada, mas não havia nada de suspeito. Engoliu em seco e se sentou, começando a ler em seguida.

     Hoje foi um dia de excelentes novidades. Parecia que estávamos na selva há anos, procurando um fantasma para os Plasmas. Embrenhados na floresta da ilha Sete, eu admito que perdi a noção dos dias, algo que Fuji sempre procurou manter. Felizmente estamos acostumados a esse tipo de vida, e ela sempre nos recompensa no fim. Fuji conseguiu encontrar o tão famigerado Pokémon misterioso. Ele disse que está embrenhado no meio da selva, e é para lá que iremos amanhã.

     As páginas se viraram automaticamente, assim que seus olhos terminaram de ler as palavras.

     Bem, digamos que tivemos muita sorte e ao mesmo tempo nenhuma. Desde que Fuji avistou Mew, o Pokémon misterioso, se passaram meses. Nunca ficamos tanto tempo em uma missão, e juro que pensei em desistir e encarar nossos chefes. No entanto, Fuji, sempre ele, conseguiu um pouco do pêlo de Mew em um incidente. Já contactei os Plasmas, pedindo para que nos encontrassem. Fuji reclamou, mas não me importa. Já fiquei tempo demais aqui.

     As páginas dessa vez balançaram um bocado, chegando até quase o fim do livro.

     Hoje é o aniversário de quinze anos da descoberta de Mew. Estive pensando nisso de manhã, e o quanto mudou desde então. Fuji e eu não somos mais uma dupla, e ele está ocupado demais em Lavender me culpando por ter, como disse de forma tão severa, me vendido ao sistema. Acho engraçado ele dizer isso, vendo quantos Pokémon conseguiu salvar naquela cidade isolada simplesmente porque eu nos tirei do mato. Ele chegou até mesmo a fundar um laboratório de pesquisas aqui em Cinnabar, por favor! Não há como discutir o quanto subimos de vida. Hoje, graças aos meus amigos Plasmas e seu braço, os Rockets, sou um líder de ginásio. E além disso, estamos prestes a gerar o Pokémon mais forte que já existiu, totalmente à nossa disposição e bem no laboratório embaixo de minha própria casa. O projeto Mew-2 já nos gerou uma série de problemas ao tentar replicar completamente o DNA de Mew, produzindo aquelas formas estranhas que o pobre Carvalho classificou como um novo Pokémon. De qualquer jeito, o projeto foi remodelado desde então. Decidimos manipular o DNA de forma mais firme, e o resultado está prestes a ser finalizado. O espécime 150, também chamado pelos Rockets que trabalham aqui na mansão como “Mewtwo”, já tomou forma e os níveis psíquicos são altíssimos. Em breve mudaremos o mundo.

     As páginas foram até o fim, chegando à última página, a qual continha apenas poucas frases.

     Mewtwo era muito poderoso. Fuji estava certo todo esse tempo. Eu vi o horror e a crueldade nos olhos daquela criatura, e... minha mansão está destruída. Os Rockets sumiram. Não sei se consigo aguentar tudo isso.

     E não havia mais nada. Kari ficou parada por algum tempo, encarando o livro como se houvessem respostas ocultas na tinta. Olhou ao redor, como se esperasse uma mancha rosa ao seu lado. No entanto, não havia nada. Ela respirou fundo e se virou, saindo da mansão com os pés batendo com força no chão.

     Alguns minutos depois, chegou ao ginásio. Foi direto até as portas duplas e bateu com força, gritando a plenos pulmões.

     - BLAINE! BLAINE, EU SEI DE TUDO! FUJI, MEWTWO, OS ROCKETS! ME DEIXE ENTRAR! - Ela parou para respirar, com a mão apoiada no metal quente.

     De repente, ouviu um clique do outro lado. 

domingo, 7 de julho de 2013

RN Nuzlocke LG: Capítulo 33: Lendas vivas

RECINTO NERD NUZLOCKE - LEAF GREEN -

CAPÍTULO 33: LENDAS VIVAS

- Estou te dizendo, Kari. Precisamos cuidar do seu cabelo. - Disse Sophie, avançando contra as ondas que se punham em seu caminho. Estavam no meio da rota 20, um caminho que passava pelo mar aberto. Kari estava sentada no casco com as costas apoiadas no pescoço da Pokémon, lendo uma revista de atualidades enquanto escutava música com apenas um fone de ouvido, distraidamente. Estavam nadando pelo sul de Fuschia, se encaminhando para a ilha de Cinnabar. A garota apenas murmurou em concordância e virou a página.


- Você está me ouvindo? -Reclamou a Lapras, parando seu movimento bruscamente. Kari quase caiu em resposta, tendo que se segurar desesperadamente nas protuberâncias do casco para não afundar na água. A revista deslizou lentamente pela superfície rochosa e caiu delicadamente no mar, boiando e finalmente afundando.


- Sophie, qual é o seu problema? - Gritou a treinadora, se esforçando para voltar até onde estava.


- Você não estava me escutando. Logo, tive de tomar medidas drásticas para chamar sua atenção. Não me culpe, pois a culpa é totalmente sua. - Disse calmamente a Lapras, voltando a nadar lentamente. - E antes que você tente dar um ataque. - Adicionou ela, sentindo o que vinha pela frente. - Devo lhe lembrar que estamos no meio do oceano, e sua única companhia e forma de locomoção sou eu. Posso muito bem ficar parada até você decidir cooperar.


A garota a encarou, irada, até que se acalmou forçadamente. Infelizmente a Lapras estava certa. - O que você queria? - Resmungou, apoiando as costas no pescoço comprido da Pokémon, ajeitando os ombros.


- Eu estava falando do seu cabelo. Há quanto tempo você não cuida dele? - Kari passou a mão por seus fios, encontrando-os duros e embaraçados. Se envergonhou um pouco.


- Acho que você tem razão.


- É claro que tenho razão. Veja, seu corte é muito bonito e talvez seja uma coisa que chame a atenção de um possível interesse romântico. - Kari sorriu, até a Lapras continuou. - Eu cuidaria mais dele, já que sua personalidade e seu corpo não devem atrair ninguém que não esteja desesperado. E lembre-se: ainda estamos sozinhos no meio do oceano. Cuidado com o que vai fazer. - Acrescentou, e a garota voltou a se sentar. A treinadora encarou o mar com a testa franzida. Já estavam no mar havia três dias, e mais um pouco disso iria deixá-la louca. Se perguntou novamente quanto tempo demoraria para chegarem a Cinnabar.


Nadaram por mais algumas horas, felizmente em silêncio. O sol já começava a se pôr no oeste, lançando um tom alaranjado ao oceano. Naquele momento, perceberam que vários nadadores e seus Pokémon estavam indo na direção oposta a deles, parecendo apressados. Pararam uma garota loira, perguntando o que estava acontecendo.


- Há uma tempestade vindo. - Disse ela, agarrada à sua Seadra. - Todos os treinadores devem voltar à Fuschia e aguardar até que ela passe. - Kari considerou ficar mais tempo sozinha com Sophie, e estremeceu.


- Não há outra forma? - Perguntou a garota. Sua Lapras se adiantou.


- Que eu saiba, as ilhas Espuma do Mar estão próximas. Talvez possamos ficar lá até as coisas melhorarem. - A nadadora pareceu empalidecer.


- Ah, vocês não irão gostar de ir para lá. - Começou ela. -  Faz alguns meses que... histórias vêm daquele lugar. O frio na região aumentou drasticamente, e dizem que há um Pokémon que ninguém jamais viu antes aterrorizando o lugar. - Sophie riu em desprezo.


- Aterrorizando o lugar? Querida, nós queremos conquistar a Liga Pokémon. Uma história de fantasma não irá nos assustar. O que acha, Kari? - Perguntou, se virando para trás. A garota acenou com a cabeça, concordando. Quanto mais tempo demorassem, pior seria para todos. Principalmente para ela.


- Bem, é a vida de vocês. Não sou eu quem vou me responsabilizar. - Disse a nadadora, se afastando deles. A Lapras alterou o caminho, seguindo a noroeste de onde estavam. Ao longe, a tempestade era claramente visível, uma mancha negra e raivosa se aproximando. As ondas começaram a ficar mais agitadas, e Sophie aumentou a velocidade. Quando Kari e sua Pokémon chegaram à praia das ilhas Espumas do Mar, pequenas gotas de água já caíam rapidamente. A treinadora recuou Sophie para a Pokébola e entrou numa caverna próxima, correndo para evitar a chuva.


Dentro da formação natural, o frio era tremendo. As paredes estavam cobertas de gelo grosso, e a respiração da garota automaticamente fazia névoas geladas ao seu redor. Kari começou a tremer assim que colocou os pés na caverna, esfregando as mãos nos braços enquanto tremia incontrolavelmente. Pensou em voltar para o ar livre, mas a chuva apertou no momento em que girou o corpo. As coisas estavam ruins dos dois lados.


Ela começou a andar pelo cenário, olhando ao redor. Percebeu que haviam figuras no gelo, e quando se aproximou percebeu que eram Pokémon. Dewgongs, Seels, Golbats... não havia nenhuma forma de vida fora das prisões de cristal. Kari sentiu o coração apertar e algo frio descer pela garganta. Havia realmente algo de estranho nas Espumas do Mar.


Um grito agudo surgiu à frente, e ela se virou assustada. Uma mancha azul estava se aproximando, tão rápida que parecia um borrão. A garota correu para longe, sentindo o vento quase levantá-la quando a figura passou. Ela caiu no chão, estendendo os braços para proteger o rosto. Levantou a cabeça e olhou para cima, sem conseguir acreditar no que estava vendo.


Em frente a ela estava um Pokémon semelhante a um pássaro, com uma envergadura tão grande que poderia conter uma dúzia de pessoas deitadas. Suas penas azuis eram majestosas e brilhantes, e todo o corpo parecia exalar cristais de gelo. O lendário Pássaro do Gelo, Articuno, estava a encarando com seus olhos frios e vermelhos.


Kari não se moveu de início, tentando compreender a situação. Para ela, a Trindade dos Pássaros era apenas uma lenda esquecida. Articuno deveria pertencer a um livro de contos, e não à realidade. No entanto, lá estava ele, pousado em uma rocha, tão frio que o objeto congelava ao menor toque. O Pokémon lendário inclinou a cabeça e soltou outro grito que ecoou fundo na caverna. O som apavorou Kari, que sentiu como se uma mão fria a estivesse apertando pela garganta. Com os olhos arregalados, ela viu Articuno se preparando para avançar.


A garota saltou para o lado, evitando o pássaro que acabou acertando a superfície, destruindo-a no processo. Um pequeno terremoto se seguiu ao ataque, despedaçando o chão embaixo dos pés de Kari. Ela caiu, balançando os braços no ar enquanto virava para baixo, encarando o riacho semi-congelado que corria vários metros abaixo. Mesmo com a força do vento que agia em seu corpo, ela colocou a mão no cinto, agindo quase que por instinto.


- KENICHI, VÁ! - Gritou ela, lançando a Pokébola para sua frente. Seu Charizard foi invocado no cenário, e a treinadora caiu em cima dele. Kenichi acompanhou um pouco a descida até conseguir planar pelos ares, olhando para os lados e evitando os destroços do andar superior.


- O que está acontecendo? - Gritou ele. Antes que Kari pudesse responder, um grito agudo foi ouvido de longe. Os dois se viraram e perceberam o Pokémon Lendário no encalço deles.


-Kenichi, ele é Articuno, da Lendária Trindade dos Pássaros! Se quer meu conselho, VAMOS FUGIR! - O Charizard nem questionou esse pedido, disparando pela caverna. Raios de gelo tentavam os alcançar, mas Kenichi manobrou para os lados, desviando às vezes por um triz. Kari se mantinha agarrada ao seu pescoço, tremendo com o vento frio e forte. - Por cima! Por cima! - Gritou ela. Seu Pokémon se alçou para o teto, mirando a abertura destruída. Antes que alcançasse, porém, Articuno disparou um raio de gelo no buraco, tapando-o completamente.


Kenichi conseguiu desacelerar a tempo, girando o corpo e abrindo as asas para apoiar os pés no cristal, ficando de ponta-cabeça. Kari quase caiu no processo, sentindo as pernas balançarem sem suporte no ar gélido.


- Kari, não vamos conseguir fugir daqui sem luta. Eu vou acabar com ele! - O Charizard mergulhou, planando até ficar de frente para o Pokémon Lendário, do outro lado da caverna.


- O quê? - Questionou a garota. - Kenichi, devo-lhe dizer que estamos encontrando uma espécie de lenda na nossa frente. Há um motivo para ele ser chamado assim. - Seu Pokémon pousou em uma pedra e abriu as asas, soltando vento quente pelas suas narinas.


- Kari, não se preocupe. Um dia vão falar a mesma coisa de nós. - A treinadora não conseguia enxergar o rosto do Charizard, mas por algum motivo sabia que ele estava rindo. Engoliu em seco, se ajeitando no pescoço dele. Realmente, não havia outra escolha.


- Espero que você sabia o que está fazendo. - Não houve resposta do outro lado, enquanto o pássaro de gelo gritava. Ele e o Charizard dispararam ao mesmo tempo, voando um de encontro ao outro e ambos lançando raios elementares de sua boca. - VAAAAI! - Gritou Kari, se esforçando para ficar de olhos abertos. Um jorro de chamas estava à sua frente, tão grande que o adversário não era visível do ponto onde estavam. Fogo encontrou o gelo no ar, lançando névoa quente para o teto da caverna. O jato vermelho atravessou o outro, acertando Articuno em cheio. As chamas logo se esvairiram, e a região ficou enevoada demais para conseguirem ver alguma coisa.


- O que houve? Vencemos? - Perguntou Kenichi. Kari olhou para os lados, tentando enxergar alguma coisa. Um vulto grande apareceu em seu campo de visão, e ela apertou os olhos para poder ver melhor. Conseguiu perceber o Articuno ferido, pousado em uma grande rocha. No entanto, havia mais alguém com ele. Uma figura pequena, parecida com um gato com cauda longa, estava com a pequena pata encostada na cabeça do pássaro. Mesmo através de toda a névao, Kari conseguiu notar seus olhos, grandes e azuis, a encarando. Algo frio desceu pela sua espinha e ela piscou. Quando reabriu os olhos, eles não estavam mais lá. Ao redor da treinadora e de seu Pokémon, o gelo começava a derreter, causando chuva na caverna.


- O que foi isso?- Perguntou Kari, estupefata. Havia algo a mais naquele... ser que tinha visto. Ele não parecia normal. Seria um Pokémon? Ou algo a mais? Se lembrou da descrição de Fuji sobre suas pesquisas, e sua mente ficou com mais dúvidas.


Havia Mew aparecido diante deles? E, se tivesse, o que teria feito? Onde estava Articuno e o que ele tinha feito com o Pássaro?


A chuva artifical caía ao redor da garota e do Charizard, quase tão volumosa quanto a de verdade que tempestuava o lado de fora.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

RN Nuzlocke LG - Capítulo 32: O Melhor dos Líderes

RECINTO NERD NUZLOCKE - LEAF GREEN - 

CAPÍTULO 32: O MELHOR DOS LÍDERES

Kari estava parada em frente ao ginásio, admirando as gigantescas portas duplas que delimitavam a área do ginásio de Fuschia. Ela se aproximou para bater na porta, mas antes que fizesse isto os portões começaram a se abrir lentamente, revelando uma pequena garota parada na área interna.

- Meu pai está esperando você. Vamos. - Ela vestia um shozoku negro e decorado com uma longa capa rosa que era quase de seu tamanho. As duas caminharam pelas pequenas estradas de terra, se dirigindo até o prédio principal. - Foi você quem ajudou meu pai a acabar com os Rockets, não é? - Perguntou a garota.

- Sim. - Respondeu Kari. 

A garota não respondeu, apenas continuou andando. Chegaram até um prédio grande, com dois pilares decorados com Pokébolas dos dois lados da porta. A filha de Koga olhou para baixo e pareceu nitidamente envergonhada.

- Obrigada. - Grunhiu baixinho, e em seguida encarou Kari com um olhar ameaçador. A treinadora deu um passo para trás, assustada, até que a garota saltou para o alto, pulando na parede e em seguida para as árvores, sumindo de vista.

- Não se preocupe. Ela realmente está grata. - Disse uma voz perto da porta. Kari se assustou novamente e olhou para os portões, percebendo que eles estavam misteriosamente abertos. Na pequena fresta entre as portas, havia um homem alto e sério encarando-a com os braços cruzados. Koga.

A garota sentiu o clima ficar imediatamente tenso assim que o líder de ginásio a encarou, fitando-a através de seus olhos determinados. Kari fez de tudo para retribuir a sensação, e os dois não piscaram nesse tempo. A treinadora sentia o corpo tremer levemente, mas se esforçou para manter a expressão. Finalmente, Koga deu um pequeno sorriso, e entrou no prédio. Kari suspirou levemente, e o acompanhou.

A arena era composta de um piso semelhante a um tatame roxo, cercado por paredes altas. Koga estava do outro lado, em sua posição, silencioso como uma pedra. Kari se apressou para ficar em seu lugar.

- Como você percebeu, não sou um líder que irá ficar conversando com você. Meu trabalho é simples, independente do que você fez para Saffron. Irei, com todos os meios possíveis, te derrotar. Está preparada?

A garota sentiu o coração bater forte, e concordou com a cabeça. Koga balançou o braço e uma Pokébola surgiu magicamente em sua mão. - Desespere-se com o horror. Bakudan. - Um Koffing foi conjurado na arena.

- Sara, vá! - A Sandslash mal havia saído da Pokébola quando Kari gritou: - Como planejamos, agora! - Sua Pokémon saltou até o teto, arrancando pedaços do telhado em pleno ar e os jogando contra o adversário. Bakudan foi atingido em cheio, e antes que pudesse reagir Sara saltou em cima dele, se apoiando em uma das telhas que ainda estava em contato com o corpo do Koffing para se impelir novamente ao teto, desta vez fincando os dois pés na parte superior. Ela mirou por alguns instantes e se jogou contra Bakudan, girando o corpo em uma bola de espinhos e o acertando com força, fazendo-o desmaiar.

- Interessante. - Foi tudo o que Koga disse, e agarrou outra Pokébola. - Doku-numa, mostre a ela o verdadeiro terror do ginásio de Fuschia. - Um Muk apareceu no local, e se moveu lentamente até o centro. Kari recuou Sara e liberou Liz para a batalha.

- Liz! O golpe que treinamos! - A Wigglytuff colocou as mãos nas têmporas, e uma onda de choque rosa se originou da região de seu crânio para acertar o Muk, que recuou disforme.

- Doku-Numa. Se minimize. - Ordenou Koga. A substância que formava o corpo de seu Pokémon se alterou, e ele diminuiu drasticamente de tamanho. Kari arregalou os olhos ao perceber que a cor do Muk era igual à do tatame, fazendo-o se camuflar completamente na arena. Engoliu em seco

- Liz, tente de novo!. Sua Pokémon até tentou, mas não tinha certeza de que tinha acertado. 

- Se minimize novamente. - Disse a voz de Koga. Se já estava difícil acertá-lo antes, desta vez era pior. Liz chegou a tentar atacar novamente, sem resposta. - Agora. Ataque. - Um jato de veneno acertou a Wigglytuff no rosto, fazendo-a tombar para trás.

- LIZ! - Gritou Kari, se virando para Koga. - Isso é trapaça!

- Trapaça? Como eu disse, garota, estou aqui para derrotá-la de todas as formas que consigo. Se não consegue me vencer apenas pela cor que pinto o piso, temo que não sirva para ser a Campeã. - A treinadora rangeu os dentes, sentindo o corpo tremer. - Ah, e lembre-se de uma coisa. - Continou o líder de ginásio. - Embora meu Pokémon esteja com seu tamanho diminuído, seus golpes não perderam a força. Como sua Wigglytuff pode notar.

- Liz, você está bem? - Perguntou Kari. A Pokémon se levantou com dificuldade, e a garota percebeu a expressão abatida dela.

- Eu... não sei. Me sinto doente. - A treinadora sabia o que isto significava. O golpe de Koga havia envenenado Liz, e agora a batalha havia se tornado muito mais difícil.

- Liz, tente de novo! - Gritou a garota, sentindo o tom de desespero em sua voz. Novamente, a Wigglytuff tentou, e novamente não obteve sucesso. Outro jato de veneno a acertou pelo lado, fazendo-a cair com força no chão. Kari sentiu o coração parar de bater por alguns instantes, até perceber que a sua Pokémon tremia lentamente. - Volte! - Exclamou, recuando Liz para a Pokébola.

- Hmpf. - Koga fez um muxoxo, ao qual Kari reagiu grunhindo os dentes. Percebia agora a verdadeira dificuldade em lutar no ginásio de Fuschia. Seu líder sabia utilizar o ambiente.

- Sara, acabe com ele. - A Sandslash foi liberada novamente, e ela voltou a saltar para o telhado, esquadrinhando a arena atentamente. Um jato de veneno a acertou do chão, e ela quase caiu de onde estava. No entanto, Sara limpou a mancha roxa com as costas das garras e disse em voz baixa:

- Achei. - Ela se impulsionou para o piso, girando o corpo novamente em uma bola de espinhos. Acertou uma área específica do chão, e Kari percebeu aliviada que pequenas manchas roxas voaram pelo ar nos segundos seguintes ao impacto. 

- Saia daí. - Disse Koga com a voz séria. Um jato de veneno saiu da região embaixo de Sara, que voou longe pelo golpe. O líder de ginásio aproveitou o momento para jogar um pequeno frasco pelos ares, que caiu bem em cima de seu Pokémon.

- O que pensa que está fazendo? - Gritou Kari. 

- Pelas regras delimitadas pela Liga, eu posso utilizar de itens limitados para a cura de minha equipe. Se quiser, quando sair daqui leia o que precisar. - Kari sentiu o sangue ferver. Olhou de relance Sara, e se assustou ao ver que ela estava com a mesma expressão doente de Liz. Havia sido envenenada também.

- Sara, sem descanso! - A Sandslash se levantou, e voltou ao teto. Mirou o adversário e se jogou contra ele, acertando-o novamente. Sem nem oferecer um segundo de descanso, ela saltou para cima de novo, voltando a atacar o Muk.

- Doku-Numa, a armadura. - Disse Koga. Sara subiu ao teto novamente, voltando a atacar o adversário. Desta vez, no entanto, as poças roxas não voaram.

- Sara, você o acertou? - Antes que a Pokémon de Kari respondesse, ela foi impulsionada para o alto por um novo jato de veneno, caindo pesadamente de costas no chão. A garota a encarou, apavorada, vendo o pequeno tórax da Sandslash subindo e descendo como um foile em busca de ar. - Volte! - Gritou, recuando-a para a Pokébola.

- Quantos Pokémon você prefere sacrificar antes de assumir a derrota? Pois se sua Wigglytuff ou sua Sandlsash retornarem, elas serão derrotadas antes de qualquer ação. - Disse Koga. Kari mordeu a língua, contendo uma resposta mal-educada, se pondo a pensar furiosamente. Ele tinha razão, concluiu, não poderia jogar toda a sua equipe na arena de qualquer jeito. E Koga ainda tinha dois Pokémon não usados. Ela precisaria de alguém que pudesse achar o Muk sem precisar dos olhos, mas para isso precisaria de um... radar?

- Zelda, eu escolho você! - Gritou, liberando sua Golbat. Pôde ver uma minúscula reação nos olhos de Koga, e isso foi o suficiente para angariar confiança novamente. - Acabe com ele! 

Um outro jato de veneno a acertou, mas a Golbat nem se importou. Voou de forma rasante e abriu a boca, provocando um ruído agudo. Kari notou uma substância roxa se remexer no tatame, e ela sentiu o coração bater mais forte.

- Ali! - Gritou, apontando para a região. Zelda voou em um círculo, acumulando energia para atacar com força o Muk, fazendo-o voar para longe com sua asa. O corpo do adversário se espatifou na parede, e ele ficou claramente incapaz de continuar lutando.

- Kyu, vá! - Disse Koga, lançando outro Koffing à arena. Kari recuou imediatamente sua Golbat, e segurou uma Pokébola com força. Precisava acabar com isso da forma mais rápida possível, pensou. Não poderia deixar o adversário ter chance de formular uma estratégia.

- KENICHI, ACABE COM ELE! - Gritou, conjurando seu Charizard para a batalha. Ele respirou fundo e projetou uma violenta rajada de chamas, envolvendo o Koffing por inteiro. Quando terminou, o adversário estava caído no chão, derrotado.

- Daburu! - Pela primeira vez na batalha, Kari notou a apreensão na voz de Koga. Ele lançou um Weezing para a arena, e a garota sabia que era seu último Pokémon.

- Kenichi, você sabe o que fazer! - O Charizard soltou outra onda de chamas, e o Weezing liberou uma fumaça negra e densa na arena, encobrindo a visão de Kari e seu Pokémon. no meio da escuridão, a treinadora ouviu o som dos frascos de Koga, e percebeu que o Daburu estava cem por cento novamente. - Ele se curou! Kenichi, não deixe ele atacar!

Kenichi girou a cabeça e atacou uma área ampla, e os dois ouviram o som do Weezing ferido em resposta. O Charizard em seguida respirou fundo, inclinando o corpo para trás enquanto arqueava as asas. Enquanto ainda segurava a respiração, ele as jogou violentamente para a frente, e o deslocamento de ar decorrente limpou a arena da fumaça, revelando o solitário Weezing. 

- ELE ESTÁ ALI! - Gritou Kari. O Charizard se virou e soltou todas as chamas que estava contendo, acertando quase um quarto da arena com seu golpe. As chamas rebeldes engulfaram o  adversário e quase derretaram as paredes do prédio, preparado meticulosamente para Pokémon de fogo. Quando as labaredas se extinguiram, o Weezing estava em um canto, derrotado.

Um som de palmas preencheu o recinto, e a garota se virou para ver Koga aplaudindo lentamente. - Você provou o seu valor de forma exemplar. - Disse ele, balançando o braço. Um pequeno objeto foi lançado contra a treinadora, que o agarrou em pleno ar. Quando ela abriu a mão, viu que era um artefato parecido a um coração com um risco no centro. - Esta é a Insígnia da Alma. O interior dos meus adversários é algo que eu valorizo muito. E acredito que você tenha o necessário para seguir em frente em sua viagem.

- Obrigada. - Disse Kari. Ela e Koga se inclinaram em respeito e a garota saiu, sentindo um peso sair de suas costas. Os dois piores treinadores haviam passado, e ela havia os vencido com louvor. 

Agora o Ginásio fechado de Cinnabar estava em seu caminho.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

RN Nuzlocke LG - Capítulo 31: Poderes psíquicos

RECINTO NERD NUZLOCKE - LEAF GREEN - 

CAPÍTULO 31: PODERES PSÍQUICOS

Kari e sua equipe estavam andando pelos corredores do ginásio de Saffron, cercados pelas paredes roxas e azulejos azuis que decoravam o piso. Sabrina estaria esperando em uma das salas, segundo o porteiro do edifício. Enquanto caminhavam, Kari fitou Kenichi, que seguia à frente silencioso. Ele havia ficado assim durante o mês de treinamento, e embora a garota respeitasse o luto do companheiro, estava começando a ficar preocupada. Havia esperado que ele melhorasse quando estivesse prestes a lutar novamente, mas essas esperanças pelo visto tinham sido desperdiçadas. Caminhou um pouco mais rápido, se colocando ao lado do amigo.

- Kenichi... você está bem? - Não houve resposta do outro lado. - Acredite, eu sei como você se sente. Wanda também estava comigo quase desde o início, e --

- Kari. Você não sabe. - Ele virou a cabeça, encarando-a sem emoção nos olhos. - Desde que eu me dou por gente, Wanda me empentelhava. Nos conhecemos bem cedo. Sempre tentei me afastar dela, mas nunca disse... esqueça. - Ele voltou a cabeça para frente. - Por favor, me utilize na batalha contra Sabrina. Preciso desanuviar a cabeça, e não conheço jeito melhor do que numa luta.

A garota concordou com a cabeça, triste. Era estranho ver o Charizard do jeito que estava. Rezou para que ele voltasse ao normal com a batalha. Não teve muito mais tempo de pensar nisso, pois haviam chegado à arena ao atravessar uma imponente porta dupla de vidro automática. Estavam no topo de uma escadaria que terminava em uma grande área com o símbolo da Pokébola no centro. Do outro lado existia apenas uma pequena escadaria em caracol que dava em um corredor apertado. Sabrina estava parada na entrada dessa galeria, olhando calmamente Kari descer, de braços cruzados.

- Tive uma visão de sua chegada, Kari. - Anunciou a líder de ginásio.

- Bem, espero que tenha terminado com a minha vitória. - Riu a garota. Sabrina sorriu em resposta, e começou a descer os degraus com a mão direita deslizando pelo corrimão.

- Eu prefiro não verificar isso. O futuro é uma coisa bastante volátil, e se eu prever algo que dependa de mim, talvez isto não seja verdade no fim das contas. Pode parecer estranho, mas acredite: estudei o bastante para compreender isto. Meu próprio ginásio serve como uma instalação de pesquisa. Tenho esses poderes desde criança, e usei o dinheiro que recebo da Liga para manter este lugar. Videntes de toda Kanto vêm para cá treinar suas habilidades, e se aprofundar nos mistérios da mente. - Ela terminou o discurso abrindo os braços, e as luzes se ligaram neste exato momento. Kari tapou os olhos com a mão e, quando voltou a enxergar, viu que a equipe de Sabrina já estava ao lado dela. Haviam um Alakazam, um Mr.Mime, um Venomoth e um Kadabra. Todos encaravam sua equipe com olhares ameaçadores. - Embora você tenha prestado um serviço imensurável à minha cidade, receio que não irei... pegar leve. O meu orgulho como líder de ginásio é maior do que minha gratidão.

- Eu não esperava o contrário. - Disparou Kari, se posicionando em seu lugar na arena. Sabrina juntou as mãos, e seus longos cabelos começaram a esvoaçar. As luzes falharam por alguns segundos, e todo o ambiente parecia se encher de vento. Kari arregalou os olhos e protegeu a cabeça até o fim do evento, quando a líder de ginásio deixou a cabeça pender no peito. Um segundo se passou, parecendo eras, e ela voltou a erguer o queixo, a encarando sem nenhuma serenidade anterior e com uma expressão muito mais séria e focada.

- Irei-lhe mostrar todo o meu poder, Kari. - Até sua voz soava diferente. A garota engoliu em seco e agarrou uma Pokébola, tentando se controlar. Respire, pensou ela. São jogos de luzes e vento. Ela precisaria mostrar seu potencial no combate, onde jogos mentais não seriam o suficiente.

- Vá, Zelda!

- Lucius! - A Golbat e o Kadabra dispararam um contra o outro.  Antes que o outro Pokémon fizesse algo, Zelda se adiantou e o mordeu no pescoço. - Dê a ela um gosto do futuro!

Os olhos do Kadabra brilharam em roxo, e Kari sabia o que isto significava. A memória da batalha com Gary ascendeu em sua mente, e ela sentiu o gosto amargo do medo em seus lábios. Precisava terminar essa batalha rápido.

- Morda ele logo, Zelda! - Sua Pokémon se adiantou e voltou a morder o pescoço do Kadabra, desta vez fazendo-o desmaiar. A treinadora aproveitou o momento e recuou a Golbat, temendo que o golpe futuro viesse para ela. 

- Isso que eu sinto é... medo, Kari? - Perguntou calmamente Sabrina, chamando seu Mr. Mime para a arena. A garota sentiu o sangue ferver, e tateou seu cinto em busca de uma Pokébola.

- Agora não é mais. - Kari conjurou sua Sandslash, que pisou com os dois pés no centro do campo de batalha. - Sara, como treinamos! Pelo alto!

Sua Pokémon saltou ridiculamente alto, ficando de ponta-cabeça para apoiar os dois pés no teto. Ela olhou para baixo, mirando o adversário, e saltou de encontro a ele, girando o corpo para virar uma bola rotatória de espinhos. Acertou o Mr.Mime em cheio, derrubando-o.

- O que acha disso agora? - Perguntou a garota. Sabrina levantou minimamente a sobrancelha, inclinando a cabeça para sua Venomoth avançar.

- Seu tempo acabou, Kari. - Sara encarou o Pokémon inseto que se aproximava, e de repente um raio roxo foi conjurado no ar e acertou a Sandslash, que foi derrubada.

- SARA! - Gritou a treinadora, quase se adiantando para vê-la. Sara se levantou com dificuldades do golpe, mas Kari não estava no clima de arriscar. Recuou sua Pokémon e conjurou Kenichi. - ACABE COM ELA RÁPIDO, KENICHI!

O Venomoth o acertou antes com um estranho raio rosa, mas o Charizard soltou uma imensa rajada de chamas, que quase pôs fogo em toda a arena. O adversário caiu, sem nenhuma chance de reação.

- Acho que agora é a hora de colocarmos os pesos-pesados em campo, não? Lars, sua vez. - O Alakazam se adiantou, projetando uma aura de imponência ao seu redor. Kari fez Kenichi recuar, visto que ele já havia soltado tudo que tinha. 

- Na verdade, agora é a hora de estrear certas pessoas. Sophie, mostre para ela! - Uma Lapras saiu da Pokébola, e pousou com força na arena. Ela olhou para os lados, franzindo a testa, até se virar para Kari.

- Sério? Não há uma poça d'água aqui e mesmo assim você me chamou? Qual é o seu problema, garota? Qual a parte de eu ser uma Pokémon que vive majoritariamente nos oceanos você não entendeu? Tem dificuldades de aprendizado? Sua mãe te deixou cair do berço? 

- Eu... - A garota estava esperando uma reação assim, mas foi pega de surpresa de qualquer jeito. - Você não disse que queria participar de uma batalha de ginásio?

- Sim, mas eu realmente preciso sublinhar tudo que eu falo para você? Me diga, como eu vou me movimentar aqui? Não vá esperando que eu role para desviar dos ataques, não? Sinceramente, como você espera ser a Campeã se comete erros tão grotescos? Sabe, --

- Lars, por favor acabe logo com isso. - Ordenou Sabrina. O Alakazam conjurou um raio rosa de suas mãos e o lançou contra a Lapras. Sophie recebeu o impacto e se virou, irada, lançando um jato de gelo contra o adversário.

- Você tem um problema de má-criação, sua inconsequente? Eu estou no meio de um discurso, e mesmo assim você me ataca? Onde foi criada, em uma fazenda? Escute aqui, eu estou ensinando à minha treinadora que o ideal é que eu fosse conjurada em cenários com uma quantidade suficiente de água para me deslocar. Só que o problema também é seu. Que tipo de líder de ginásio é essa que não oferece um local próprio para Pokémon aquáticos lutarem? Sua falta de consideração me enoja.

- Oh, céus. - Suspirou Sabrina, e seu Alakazam voltou a atacar a Lapras, que voltou a contra-atacar com o raio de gelo, desta vez derrubando de vez o adversário.

- Eu não acabei. Veja -- No entanto, Kari a fez voltar para a Pokébola. Isso provavelmente vai ser mais complicado do que eu pensei, concluiu a garota, que se voltou para a líder de ginásio. Sabrina estava balançando a cabeça, e um singelo sorriso emanava de seu rosto.

- Seus métodos são heterodoxos, Kari. Só que isso, de alguma forma, te favorece. Parabéns. - Ela retirou uma pequena caixa metálica do cinto, e a abriu para a garot.a - Você conquistou a Insígnia do Pântano. - Um pequeno ornamento estava dentro do recipiente, e se assemelhava a um disco redondo dourado, com um outro círculo desenhado em seu interior. A treinadora pegou a insígnia, se sentindo aliviada e feliz ao mesmo tempo.

- Obrigada.

- Não agradeça ainda. Seu maior desafio ainda está por vir. Koga é o melhor líder de ginásio de Kanto, e seu renome é tão grande que, assim que a Elite dos Quatro abrir novas inscrições, ele é o mais cotado. Saiba disso.

- Eu sei. - Ela sentia algo se remexendo em seu estômago, mas mesmo assim estava esperançosa. Sabrina captou esse brilho no olhar da garota, e sorriu novamente.

- A propósito, eu havia previsto minha derrota. Mesmo assim, dei o melhor de mim. Estou sinceramente surpresa em ver o quanto você evoluiu, Kari, e espero poder assistí-la no Platô Indigo.

- Você previu isso? - Zombou a treinadora.

- Todos nós temos alguma espécie de poder psíquico, Kari. É algo que aprendi em meus anos de pesquisa. No entanto, a arte de prever o futuro é uma das mais difíceis de se entender. Eu não enxergo cenas, mas sim sentimentos, e mesmo assim eles são facilmente alterados. Portanto, se você realmente quiser que seu futuro se concretize, a única pessoa capaz de fazer isto acontecer é você mesma.

A garota sorriu, e se despediu de Sabrina. Ela voltou às ruas de Saffron, respirando o ar poluído da cidade e absorvendo seu caos natural, enquanto tentava se focar no próximo objetivo.

Pois Koga, líder do ginásio de Fushcia, seria o maior desafio até agora.

sábado, 22 de junho de 2013

RN Nuzlocke LG - Capítulo 30: Vitória Sombria

RECINTO NERD NUZLOCKE - LEAF GREEN - 
CAPÍTULO 30: VITÓRIA SOMBRIA

Kari respirava aliviada, alheia aos movimentos do lado de fora do corredor. Um Rocket havia se arrastado até a porta do lado de fora, sobrevivente da luta dos andares abaixo. Ele segurava um braço dormente, e se locomovia lentamente até a grande porta dupla da sala do Presidente. Em seus dentes, havia um controle de formato cilíndrico, e um grande botão vermelho em uma das extremidades. Ele havia recebido o objeto de seu líder quando o homem desceu as escadas, parecendo extremamente agitado. Sua ordem era clara: aperte o botão o mais perto possível da sala do presidente. E assim o Rocket se encaminhava, encostando as costas na porta. Ele se sentou, ofegante, cuspindo o objeto. Seus dedos deslizaram pelo botão, enquanto ele se questionava sobre o objetivo deste ato. No entanto, sua convicção impediu qualquer ação contrária.
  - Salve os Rockets. - Ele apertou o botão. Em toda Saffron pôde-se ouvir a explosão, e milhares de cabeças se viraram, alarmadas, vendo um dos andares do famoso arranha-céu da Silph arder em chamas. Houveram gritos e comoção, enquanto dois líderes de ginásio corriam até o edifício. Ninguém soube o que realmente aconteceu ali, e apenas um rosto sorria no meio do caos. Um homem de terno negro, andando rapidamente entre as ruas, com a satisfação da vingança em seus lábios.
  Se passaram dias desde o evento agora conhecido como “Ofensiva Rocket”. Kari abriu os olhos, sentindo o corpo dormente. Se viu em um leito de hospital, e uma figura familiar apareceu em seu campo de visão.
  - Kari. Graças a tudo que é mais sagrado, você está bem. - Disse Koga, saindo do quarto em seguida. Ele retornou alguns minutos depois, enquanto a garota ainda recobrava a consciência, voltando com o professor Carvalho e Sabrina.
  - Ah, Kari. Onde você se meteu? - Disse Carvalho, colocando a mão em sua testa. Ela ainda estava grogue, impedindo-a de responder.
  - A garota é uma heroína. A queda dos Rockets está toda em suas mãos. - Disse calmamente Sabrina, se apoiando na parede.
  - E por qual motivo então vocês dois receberam os créditos? Não há uma menção a ela nos jornais!
  - Pelo mesmo motivo pelo qual o senhor decidiu não alertar a mãe dela. – Disse Koga. - É tolice pensar que todos os Rockets foram presos, e que não há mais nenhum em liberdade. Se dissermos que uma civil contribuiu com a dissolução deles, seria ingênuo pensar que eles não retornariam em busca de vingança. Eu e Sabrina podemos nos virar, ela não. Espero que você não se importe com isso, garota. - Kari levou a mão à cabeça, apalpando bandagens secas.
  - O... o que houve? - Os três adultos se entreolharam, e Carvalho começou a falar.
  - Haviam... bombas no lado de fora da sala do presidente da Silph. Eu não sei o que aconteceu lá, mas elas explodiram. Achamos vocês nos escombros. Você tem uma idéia do que aconteceu?
  - Eu... - Ela levou as mãos às têmporas, tentando se proteger da dor de cabeça que sentia. Sabrina se aproximou, e pousou sua palma na testa da garota.
  - Acalme-se. Agora que está consciente, eu posso extrair as informações sem esforço por sua parte. Deixe-me ver... - A líder de Saffron inclinou a cabeça, fechando as pálpebras no processo. - Houve uma batalha. Você não sabe quem era o homem com quem batalhou, por isso não consigo identificá-lo. No entanto, tudo leva a crer que era o líder dos Rockets. Você o derrotou, e depois...estranho. Você estava bem perto da parede, como as bombas não te jogaram para fora do prédio? Koga. - Ela parou, se virando para o outro homem. - Precisamos conversar.
  Os dois foram para um canto, enquanto Carvalho ficou sozinho com a garota, que sentia as memórias voltando para o lugar. - Professor, eu... eu vi Gary.
  - Gary? Ah, graças a tudo que é mais sagrado. Não tenho respostas do garoto há meses. Ele estava bem? - Kari tentou responder a verdade, mas ao ver o rosto esperançoso do homem mais velho, recuou.
  - Ele... ele estava bem. Saiu um pouco antes da luta.
  - Professor. Temo que devemos contar a verdade pra ela. - Disse Koga. Os dois voltaram a se aproximar, e Kari viu o rosto de Carvalho ficar sombrio.
  - O que houve? - Perguntou a garota, sentindo a apreensão tomar conta do ambiente.
  - Kari, havia algo estranho no lugar em que te encontramos. Você estava bem perto do epicentro da explosão, e mesmo assim não havia sofrido os danos correspondentes. Suspeitávamos de um elemento extra, e agora sabemos como ele ocorreu. - Disse Koga, de forma séria.
  - Seus outros Pokémon estavam espalhados, mas um estava bem próximo de você, parecendo empurrá-la junto com sua Jolteon em direção ao centro da sala. Você se lembra de alguém próximo a você, com capacidade de fazer isso? – Perguntou Sabrina.
  - Eu não... Sakura estava perto de mim, acho, mas vocês acabaram de dizer que ela também foi arrastada
  - Todos os seus outros Pokémon estavam longe, então?
  - Não... Apenas cinco lutaram. Deixei Wanda na Pokébola, porque ela não precisava entrar naquela luta. - Ela percebeu a expressão sombria se intensificar no rosto dos outros.
  - Wanda era... a Beedrill, correto? - Perguntou Koga.
  - Sim... como assim, “era”? Já disse, ela estava na Pokébola. Nem sequer entrou na luta.
  - Kari... - Começou o professor Carvalho, apoiando sua palma na mão da garota. - Encontramos Wanda morta.
  O choque bateu na treinadora e a imobilizou, a deixando incapaz de pensar ou agir em resposta. Seus olhos se arregalaram, e o coração parou de bater. Não era possível, pensou. Ela estava fora da luta.
  - Tudo nos leva a crer que ela estava te impedindo de cair do prédio, Kari. - Disse Sabrina. - Achávamos estranho quando encontramos a cena, mas tudo faz sentido agora. Pela sua posição, você iria ser jogada para a frágil parede de vidro com o impacto dos explosivos. Pelo que entendi, ela saiu da Pokébola e te protegeu da explosão, salvando-a. Infelizmente, isso pôs a Beedrill na...
  - Onde estão meus Pokémon? - Perguntou a garota, sentindo a raiva tomar conta de si. Eles não entendiam, não? Wanda estava fora da luta.
  - Estão aqui. - Carvalho estendeu seu cinto a ela, e ali estavam cinco Pokébolas. A treinadora puxou o objeto com força de sua mão.
  - Agora, saiam. Kenichi irá matá-los caso descubra que estão mentindo sobre algo tão terrível. E eu não vou contê-lo.
  - Kari, eu... - O professor tentou argumentar, mas Koga pôs a mão em seu ombro, balançando negativamente a cabeça. Os três saíram lentamente, enquanto a garota os encarava, furiosa. Foi apenas quando a porta bateu que ela liberou seus Pokémon na sala.
  - Onde está Wanda? – Perguntou a treinadora. Kenichi se arrastou até o outro lado da sala, de costas, enquanto os outros quatro se posicionavam tristemente ao redor da cama.
  - Kari, eu... temo que ela – Começou Sara, mas a garota a impediu,
  - Vocês também caíram nessa? Gente, Wanda estava na Pokébola. Mesmo se ela saiu, o impacto não seria o suficiente para matá-la. Vocês não sofreram isso.
  - Sim, mas... Ela recebeu um ataque que não pudemos calcular de onde veio. Era um raio roxo, que literalmente se materializou do nada. – A mente de Kari deu um salto, e ela se lembrou do ataque futuro do Alakazam de Gary. Ele havia acertado seu alvo, mesmo com tanto tempo depois? A garota encarou sua equipe, passando de rosto em rosto. Sara encarava o chão, sem conseguir mais falar. Liz chorava baixinho, enquanto Zelda se apoiava tristemente no canto da cama. Sakura havia se recolhido para ficar embaixo do sofá, e Kenichi... ainda não havia se virado. O coração da treinadora pareceu parar por alguns instantes.
  - Não... não pode ser. Eu... – Ela envolveu a cabeça com as mãos. – Wanda, ela... Nós estamos juntas há tanto tempo. Não... não era pra ser assim. Seríamos campeãs juntas. Nós... oh, céus... – Era como se conseguisse materializar a Beedrill à sua frente, fazendo algum comentário zombeiro e tentando perturbar Kenichi. Nunca mais iria ver aquilo? – Por favor, não... – Kari sentiu as lágrimas descerem copiosamente pelo seu rosto, e sua garganta deu um nó tão grande que nenhuma palavra conseguia ser libertada. Ela ficou ali, chorando silenciosamente, sem conseguir aceitar o que havia acontecido.
  Os dias se passaram, tão rápidos que não podiam ser calculados. Tudo que Kari fazia era encarar a janela mais próxima, sem falar com ninguém. Carvalho, Sabrina, Koga, todos ficavam lá mas não conseguiam uma resposta. Eis que, em um dia, um novo rosto apareceu na porta.
  - Kari? Eu... peço perdão pelo meu atraso. – Era Fuji, que carregava uma Pokébola e uma caixa metálica nas mãos. A garota não respondeu, esperando o homem mais velho se arrastar até ela. Sakura estava em seu colo, apoiando tristemente sua cabeça em seu peito enquanto a treinadora coçava distraidamente sua cabeça.
  - Eu... não consigo imaginar o que esteja sentindo. É terrível perder alguém assim, de forma tão...
  - Fuji, o que você quer? – Interrompeu a garota. O homem pareceu surpreso, e apoiou seus dois presentes na cama.
  - Estou aqui, além de ver como você está, em nome do presidente da Silph. Ele infelizmente não pôde vir pessoalmente, então me pediu para lhe entregar essas duas coisas. – Ele segurou a Pokébola, girando-a distraídamente na mão. – Essa é Sophie, uma Lapras premiada. O presidente decidiu te entregar e...
  - Se acham que vou substituir Wanda, podem levá-la de volta. Eu não quero.
  - Kari, nunca pensamos nisso. Apenas pensamos que, caso você queira chegar a Cinnabar para seguir a liga, precisará de um meio de transporte. E, como diriam os antigos, nada melhor que uma Lapras.
  - A Liga. Eu... não pensei nisso desde... Fuji, eu não sei se consigo mais fazer isso.
  - Kari, sinto-lhe dizer, mas este é um pedido nosso. Por favor. – Ela o encarou, e percebeu lágrimas em seus olhos. – Já te colocamos em uma briga que não era sua. Causamos indiretamente a morte de um membro de sua equipe. Por favor. Tudo que não queremos é destruir seu sonho.
  Kari ficou o encarando, sem saber o que dizer. Finalmente, aceitou a Pokébola. – Obrigada, eu... eu vou continuar.
  - Ótimo, ótimo... – Fuji enxugou os olhos com as costas da mão, e segurou a caixa metálica. – Agora, este é um resquício muito importante. Veja, depois dos acontecimentos de semana passada, o presidente decidiu abolir qualquer menção ao programa Master. Creio que vários protótipos acabaram sendo contrabandeados para outras regiões, como Karos, Unova, até mesmo Johto. No entanto, ele queria que você ficasse com isso. – Fuji abriu a caixa, revelando uma estranha Pokébola roxa e vermelha, com um “M” bordado em prata no topo. – Chamamos ela de Masterbola.
  - O quê? Não disseram que ela era ilegal?
  - Kari, infelizmente há coisas que você não sabe sobre os Rockets. Veja, quando fui contratado por eles, estávamos a procura de um Pokémon lendário. Sabe o que é isso?
  - Sim. Não há nenhuma prova de que eles existam, exceto em lendas. Que eu saiba, as mais comuns são sobre a Trindade dos Pássaros, certo? Articuno, Zapdos e Moltres.
  - Sim, correto. No entanto, há algo a mais. Veja, há anos que certos grupos buscam por esses frutos de lendas, e recentemente há uma procura mais forte em diversas regiões do mundo. Houve uma grande explosão em Hoenn recentemente que atribuíram a Groudon, o lendário Pokémon Continente. O poder deles é imensurável, e já era tempo de criminosos buscarem eles a seu bel-prazer. Antes de eu saber disso, os Rockets me chamaram para procurar Mew, e como você sabe, eles se adquiriram dos pêlos dele. Há alguns meses, houve uma explosão em Cinnabar, e relatos dizem de uma criatura saindo de lá. Desde então, os Rockets intensificaram suas atividades. Não creio que os dois atos não estejam interligados, Kari. Essa Masterbola é um instrumento de proteção para você. Caso encontre a tal criatura incrivelmente poderosa, use-o sem piedade.
  Kari girou a esfera nas mãos. – Eu... entendo o que o senhor quer dizer. Você acha que vou encontrá-lo?
  - Tudo o que sei era que o projeto Master parecia ser a única esperança do líder dos Rockets. O que me leva a crer que a criatura é tão poderosa, que não havia a chance de lutar com ela. Sobre suas chances de encontrá-lo... não podemos correr riscos.
  - Certo. – Ela voltou a encará-lo. – Obrigada.
  - Não me agradeça. Não ainda. – Ele se levantou, e se aproximou da porta. – Temo que agora só nos encontraremos no Platô Indigo, Kari. Estarei esperando você se tornar Campeã. Nunca encontrei ninguém que estivesse mais predestinada a isso do que você. – Ele saiu, deixando a garota com seus próprios pensamentos. As duas Pokébolas estavam em suas mãos, significando coisas imensamente diferentes.
  Um mês se passou desde aquele dia, e Kari estava parada em frente ao ginásio de Saffron, com as mãos nos cabelos para protegê-los do vento forte. Se virou para seus Pokémon, e disse: - Hora de mostrar todo o nosso treinamento, rapazes. Hoje é o dia em que voltamos ao caminho da Liga. E iremos passar por ela, assim como todos os outros. – Assim que disse isso, entrou no ginásio, com uma estranha sensação em sua mente.
  De algum modo, sabia que Sabrina estava a aguardando.