sexta-feira, 2 de agosto de 2013

RN NUZLOCKE LG - Capítulo 35: Erupção

RECINTO NERD NUZLOCKE - LEAF GREEN - 
CAPÍTULO 35: ERUPÇÃO

As portas do ginásio se abriram, e um homem de quase setenta anos apareceu. Ele vestia um terno branco com uma camisa preta por baixo e óculos escuros, e tinha uma pele pálida. Era careca, mas possuía um enorme bigode cinzento que saía da região perto de suas narinas. Seu nome era Blaine, o líder do ginásio de Cinnabar. As sombrancelhas do homem se franziram, e ele cruzou os braços ao encarar Kari.

- Sabe de tudo? - Perguntou, demonstrando uma voz aguda. - Me diga, você por acaso invadiu minha mansão?

- Eu... - A garota corou, coçando a nuca com o braço direito. Ela realmente não tinha a resposta para isso. Blaine abaixou os óculos por um instante, analisando sua expressão com seus olhos negros. Finalmente, se virou e deixou a porta aberta, andando pelo corredor escuro.

- Me acompanhe. - Ordenou, e a garota o seguiu, fechando a porta atrás de si. Caminharam por corredores simples, com apenas o som dos passos fazendo companhia. Kari ficou pensativa enquanto andava, separada de Blaine por apenas cinco metros. Para onde estavam indo? Sentia o calor aumentar a cada esquina, até que ela começou a suar depois de dez minutos. Passou os dedos na testa, percebendo que o líder de ginásio não dava sinais de desconforto. Atravessaram um portal decorado e o queixo da garota caiu.

Um enorme lugar se encontrava diante deles, parecendo escavado na rocha da própria montanha. Um pequeno vilarejo poderia ser instalado naquela área, de tão ridicularmente grande que era a região. O teto não era visto pela altura, se escondendo nas trevas das regiões acima deles. No entanto, o que mais impressionava era o chão. Ou pelo menos o que estava nele. No centro da caverna havia uma poça de lava no fim de um buraco de cinquenta metros, com diâmetro equivalente a um pequeno condomínio. Quatro pilares de metal gigantescos se instalavam ao redor, cada um segurando com correntes monstruosas uma enorme placa de metal, apoiada bem em cima da lava. A placa era decorada com o símbolo da Pokébola no centro, e estava claro que era uma arena.

- O campo de batalha de Cinnabar. - Começou Blaine, descendo uma rampa de pedra que se dirigia até a arena. - É o lugar mais impressionante de toda Kanto, quiçá de todo o planeta. Escavada no centro do vulcão, ela simboliza o desafio com que os treinadores precisam passar para conquistar a Insígnia do Vulcão. - Ele estendeu a mão, mostrando a placa de metal. - Antes que você procure reclamar, existem milhares de refrigadores trabalhando constantemente para manter a superfície metálica aceitável para todas as espécies de Pokémon. No entanto, não posso garantir o mesmo sobre o ar.

- Eu... não estou entendendo. - Confessou Kari, depois de parcialmente superar o espanto. - Pensei que não aceitasse mais duelos de Ginásio.

- Isso não a impediu, não? - Comentou o líder, parando de andar e colocando as mãos cruzadas atrás das costas, ainda sem encarar a garota. - Fuji me mandou seu perfil, tentando me convencer a sair daqui. Pelo que eu li, você não passa de uma enxerida. Acredita que todos os problemas do mundo são seus. E infelizmente, meteu o nariz onde não era chamda. Você tem alguma noção do poderio dos Rockets, criança?

- Eu acabei com eles. E, de qualquer jeito, ninguém ali sabe quem eu sou. - Disparou Kari, franzindo as sombrancelhas.

- Hunf. - Riu Blaine pelo nariz. - No futuro, procure-se lembrar do que acabou de dizer. De qualquer jeito, seu comportamento desagradável acabou me gerando complicações. Você descobriu coisas que não deveriam ser compartilhadas, em um maldito diário que havia esquecido, não? - Não houve resposta do outro lado, mas mesmo assim ele pareceu acreditar no caso positivo. - De qualquer jeito, você sabe demais. Portanto, deixe-me fazer uma proposta, algo gerado diretamente para pessoas de mente simples como você. Decidiremos isso numa batalha oficial da Liga Pokémon. Caso eu vença, você deverá esquecer de tudo que viu e ouviu durante suas missões pessoais, e voltar para algo que não incomode ninguém.

- E caso eu vença? - Perguntou a treinadora.

- Isso não irá acontecer. - Sem uma palavra a mais, Blaine se encaminhou até o outro lado da arena, no lugar destinado ao líder de ginásio. O sangue de Kari ficou mais quente do que o ar em sua volta, mas engoliu as frases que pretendia proferir. Se era assim que ele quer, pensou, assim que irei jogar. Andou até sua região, retirando uma Pokébola do cinto.

- Estou pronta. - Avisou a garota.

- Eu não me lembro de ter perguntado. - Rebateu o líder. Ele no entanto também retirou uma Pokébola do cinto, e a jogou na arena. - Cão de Caça. Vá. - Um Growlithe se materializou, rosnando para a garota, que também atirou sua Pokébola.

- Sarah. - Disse ela, e sua Sandslash entrou na arena. Ela recuou um pouco ao ver o olhar ameaçador do adversário, mas manteve sua posição. Kari olhou para cima, e uma estratégia veio à sua cabeça. - SARA, O TETO DA CAVERNA ESTÁ PERTO DOS PILARES! VOCÊ SABE O QUE FAZER!

A Pokémon correu até os pilares, subindo correndo pelas correntes que mantinham a arena onde estava. Cão de Caça até tentou acertá-la, mas já era tarde demais. A Sandslash correu até o pilar e saltou, arranhando com suas garras um pedaço do teto rochoso da caverna e retirando grandes pedaços de pedras. Quando começou a descer pela força da gravidade, ela ainda segurava os projéteis na mão, com os quais jogou na direção do Growlithe, que foi acertado em cheio. Ele tentou se levantar, mas estava claramente fora de combate.

- Pégaso. Eu escolho você. - Disse calmamente Blaine, colocando uma Ponyta na arena. Sara voltou a correr pelas correntes, desta vez saltando na metade do caminho e acertando a adversária. A Ponyta continuava no chão quando tentou lançar um imenso jato de fogo da boca, mas não havia como acertar a Pokémon de Kari de onde estava. A Sandslash, por outro lado, saltou até onde as rochas da luta anterior estavam, e as jogou novamente contra a adversária, que desmaiou rapidamente.
- O que você estava falando de vencer, Blaine? - Perguntou Kari, cruzando os braços. O líder de ginásio passou os dedos pelo bigode e ajeitou os óculos com a outra mão.

- Ainda mantenho minha palavra. Indomável. - Ele lançou um Rapidash na arena, que se empinou nas patas traseiras e relinchou audivelmente. Kari recuou Sara e mandou Sophie para a batalha. A Lapras pousou no metal com um barulho surdo e resmungou audivelmente.

- Qual é o problema de me colocar em um lugar aceitável? KARI! - Ela gritou e virou o pescoço para trás. Nesse momento, a treinadora percebeu o Rapidash adversário se aproximando para atacar.

- SOPHIE, OLHA PARA FRENTE! - Gritou ela, vendo o enorme jato de chamas começar a ser feito na boca de Indomável. Sophie, no entanto, agiu em resposta rapidamente. Lançou um jato de gelo no chão, cobrindo a superfície ao seu redor do material reluzente. Em seguida se aguardou o adversário formular seu ataque e se impeliu para o lado, conseguindo se desviar das chamas imensas que vinham em sua direção por um triz.

- É por isso que eu quero uma arena decente! - Gritou a Lapras, preparando seu próprio ataque. Ela inspirou fundo e soltou um jato d’água tão tremendo quanto o do Rapidash, que foi acertado em cheio. Indomável foi impelido para trás, quase chegando a cair da arena suspensa, visivelmente desmaiado.

- Destroçador! - Gritou Blaine, perdendo a compostura. Seu Arcanine nem sequer chegou a encostar no chão, sendo atingido por um novo golpe da Lapras. O líder de ginásio recuou seu Pokémon por reflexo, parecendo incapaz de entender a situação. Havia sido derrotado.

Ele ficou atônito até Kari chegar perto, finalmente saindo de seu estupor. Blaine pareceu irritado, e retirou uma pequena caixa do bolso da calça.

- Tome. Se te faz feliz, é a primeira pessoa que conseguiu uma dessas em meses. - Ele largou a Insígnia do Vulcão na mão da garota, que continuou no mesmo lugar. - O que exatamente você quer? - Perguntou o líder. - Já não conseguiu o que queria?

- Bem, na verdade não. Quero que você reabra o ginásio para todas as pessoas. - Disse a garota serenamente, o que pareceu tirar Blaine do sério.

- O quê? Saia daqui antes que eu te jogue no vulcão! - Kari ignorou isso e recomeçou a falar.

- Se acha que se esconder aqui vai fazer com que seus erros sumam, esqueça. Sua responsabilidade é como líder de ginásio, portanto faça algo de útil para isso. Caso contrário... - Ela cruzou os braços e encarou o homem com um olhar mais severo. - Eu vou até os jornais para contar sobre seu envolvimento com os Rockets. O que acha? - O rosto de Blaine ficou púrpura, e ele começou a gaguejar.

- O... o que você acha que está fazendo? Sabe o que eu fiz? Acha que alguém consegue viver com tudo isso nas costas? - Respondeu ele, quase cuspindo enquanto falava. Kari se manteve calma, e esperou Blaine terminar antes de continuar.

- Sim. E de que adianta continuar com isso? Os Rockets já se foram, e de qualquer jeito ficar recluso em sua casa não vai ajudar ninguém. Incrivelmente você tem que ouvir isso de uma garota com um quinto da sua idade, mas tenha um pouco de responsabilidade! - O homem ficou quieto, e começou a limpar os óculos. Quando os colocou de volta no rosto, tinha uma expressão mais focada em sua face.

- Façamos o seguinte: Eu sei que há um grupo dos Rockets nas ilhas Sevii. Quero que você vá até lá e veja o que estão fazendo. A viagem, claro, será paga por mim. - Kari estreitou os olhos em resposta.
- Você acha que eu sou o quê? Garota de tarefas? - Perguntou ela. Blaine apenas sorriu.

- Pelo que eu entendo, você não conseguirá ficar parada ao saber que ainda tem Rockets por aí. Além do mais, eu só abrirei o ginásio sob estas condições. - Seu sorriso por debaixo do bigode quase fez a garota desistir, mas ele tinha razão. Não conseguia ficar parada.

- Certo. - Disse ela depois de algum tempo. O sorriso de Blaine ficou maior, e ele começou a andar de volta para o ginásio.

- Não se preocupe. Apenas pense nisso como umas férias. Soube que certas ilhas do arquipélago de Sevii tem praias excelentes. - Kari não respondeu, apenas o acompanhou pela caverna. Perto dos pilares, um estranho Pokémon rosa encarou a dupla andando, e se teleportou para longe.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

RN Nuzlocke LG - Capítulo 34: Mew-2

     RECINTO NERD NUZLOCKE - LEAF GREEN - 

CAPÍTULO 34: MEW-2

     Finalmente chegaram em Cinnabar, uma ilha vulcânica recente, pequena e cheia. Prédios e casas decoravam cada acre que conseguiam encontrar, dando espaço apenas para vegetações rasteiras e o grande vulcão no centro do lugar. Sophie deixou Kari na praia, e a garota imediatamente se dirigiu até o ginásio.

     Lá chegando, estranhou o fato da área parecer vazia. Normalmente havia pelo menos algum tipo de movimento nos arredores de uma construção daquelas, mas desta vez nenhuma alma viva se importava de aparecer. A garota encolheu os ombros e continuou, encarando de frente o prédio. Ele era construído bem perto da única elevação montanhosa de Cinnabar, e parecia adentrar a formação da natureza. Kari se aproximou da enorme porta de metal dupla e bateu várias vezes, gritando enquanto fazia isso.

     - BLAINE? BLAINE, APAREÇA! - A garota já não tinha paciência antes de chegar no lugar, irritada por não saber se poderia disputar ou não. Ela odiava ficar no escuro, e parte de si preferia que o ginásio fosse simplesmente fechado, ao invés da complicação enrolada a que se submetera. O pensamento estava em sua cabeça desde que saíra de Fuschia, e havia chegado no ápice naquele momento.

     - Ele não irá aparecer. - Disse uma voz atrás dela. A garota se sobressaltou, virando o corpo em sequência. Havia um homem idoso em pé, apoiado em uma bengala de madeira. - Peço perdão por assustá-la. - Adiantou ele. - No entanto, creio que esteja em uma batalha perdida. Blaine se trancou aí dentro faz oito meses, e não sai nem para comprar comida. Eu sou o responsável por alimentá-lo. - Ele levantou a mão, e Kari viu que carregava uma sacola de comida.

     - Quem é você? - Perguntou a garota, deixando o velho se aproximar do ginásio.

     - Eu era o porteiro daqui. - Disse ele, colocando o pacote em uma fresta na porta. A portinhola balançou audivelmente. - Portanto, posso confirmar que muitos treinadores ficaram bastante irritados. Por muitas semanas houveram confusões na porta do ginásio, e representantes da própria Liga Pokémon vieram para confrontá-lo. No entanto, Blaine, por ser o mais velho e experiente dos líderes de ginásio, conseguiu enrolá-los. Ninguém sabe o que deu nele... - Ele deixou a voz cair, encarando tristemente a porta de metal.

     - Então... eu deveria fazer o quê? - Kari sabia que a culpa não era do homem idoso, mas sua tensão estava no limite.

     - Vários treinadores começaram a ajudar o Centro de Pesquisa Pré-Histórica daqui. Chegamos a concorrer com o próprio Museu de Pewter em artigos científicos, o que nos dá muito orgulho. - Ele se virou para ela, se ajeitando em sua bengala. - Outros decidiram tomar os mares, onde disseram que iriam treinar até o momento certo. Houveram pessoas que desistiram, também. - O velhinho começou a andar, deixando a garota para trás. - Faça o que quiser fazer. Apenas acho que Blaine não irá responder tão cedo.

     Kari ficou sozinha, exalando fúria. Havia chegado tão longe apenas para estancar? E, sobretudo, por algo que estava fora de seu controle? Estava considerando esmurrar a porta de novo, quando algo brilhou em seu campo de visão. Quando virou a cabeça, percebeu que era um rabo rosa e longo sumindo atrás de uma esquina.

     Mew? Ela se adiantou, correndo os últimos metros. Quando virou a rua, avistou novamente o rabo rosa sumir à sua frente. Entrou em perseguição, correndo pelas ruelas e pontes até chegar aos arredores de uma grande mansão acabada, onde uma pequena figura estava parada no teto. Quando ela chegou perto da porta, a mancha rosa vibrou e sumiu, deixando-a novamente sozinha. Kari parou para se apoiar nos joelhos e respirar fundo, inclinando a cabeça para descobrir aonde estava. 

     A mansão à sua frente era gigantesca, cobrindo quase quatro andares e várias dezenas de metros de comprimento. No entanto, parecia ter conhecido dias melhores. Buracos e manchas de incêndio decoravam macabramente as paredes, e não havia uma janela sem vidros quebrados. A garota olhou ao redor, sem conseguir encontrar ninguém. O vento balançou ao seu redor, agitando caibros bambos e cortinas rasgadas. Ela engoliu em seco, apoiando a mão na porta de madeira rachada. Captou uma mancha rosa lá dentro, e quase caiu para trás de susto. A porta se fechou novamente, e ela respirou várias vezes antes de continuar. Bem, pensou Kari, enquanto entrava na mansão. Acho que alguém quer que eu vá para cá. O mistério era muito tentador para afastá-la, e de qualquer jeito, não tinha nada a perder.

     Por dentro as coisas pareciam muito piores do que do lado de fora. Móveis estavam estraçalhados por todos os lugares, e a poeira dançava nos raios de sol. A criatura rosada estava no fim de um corredor perpendicular ao átrio. A garota o seguiu, e viu que havia uma escada em espiral que subia no fim da galeria. Continuou para cima, se encontrando em um novo corredor que possuía apenas uma porta de madeira escura, surpreendentemente em bom estado de conservação. O Pokémon misterioso tocou com sua pequena mão a fechadura, que soltou um clique. Ele encarou a garota, seus olhos azuis encarando os verdes sem piscar por um instante que pareceu anos. Finalmente, ele vibrou no ar e desapareceu.

     Kari se adiantou, abrindo a porta. Algo fazia os pêlos de sua nuca arrepiarem enquanto ela olhava ao redor. O quarto era pequeno, e possuía apenas uma mesa decorada no centro, um tapete verde embaixo, uma cadeira simples e um grande livro no topo. A garota o pegou, abrindo-o curiosa. Na contra-capa havia um nome escrito à mão, com os dizeres: “A vida de Katsura Blaine, escrita pelo próprio.”.

     - Ah! - Se assustou a garota quando as páginas começaram a se mexer em suas mãos, como se um vento estivesse as balançando. Ela deixou o livro cair em cima da mesa, e as folhas se agitaram até pararem em uma página no fim do livro. Ela olhou para os lados, agitada, mas não havia nada de suspeito. Engoliu em seco e se sentou, começando a ler em seguida.

     Hoje foi um dia de excelentes novidades. Parecia que estávamos na selva há anos, procurando um fantasma para os Plasmas. Embrenhados na floresta da ilha Sete, eu admito que perdi a noção dos dias, algo que Fuji sempre procurou manter. Felizmente estamos acostumados a esse tipo de vida, e ela sempre nos recompensa no fim. Fuji conseguiu encontrar o tão famigerado Pokémon misterioso. Ele disse que está embrenhado no meio da selva, e é para lá que iremos amanhã.

     As páginas se viraram automaticamente, assim que seus olhos terminaram de ler as palavras.

     Bem, digamos que tivemos muita sorte e ao mesmo tempo nenhuma. Desde que Fuji avistou Mew, o Pokémon misterioso, se passaram meses. Nunca ficamos tanto tempo em uma missão, e juro que pensei em desistir e encarar nossos chefes. No entanto, Fuji, sempre ele, conseguiu um pouco do pêlo de Mew em um incidente. Já contactei os Plasmas, pedindo para que nos encontrassem. Fuji reclamou, mas não me importa. Já fiquei tempo demais aqui.

     As páginas dessa vez balançaram um bocado, chegando até quase o fim do livro.

     Hoje é o aniversário de quinze anos da descoberta de Mew. Estive pensando nisso de manhã, e o quanto mudou desde então. Fuji e eu não somos mais uma dupla, e ele está ocupado demais em Lavender me culpando por ter, como disse de forma tão severa, me vendido ao sistema. Acho engraçado ele dizer isso, vendo quantos Pokémon conseguiu salvar naquela cidade isolada simplesmente porque eu nos tirei do mato. Ele chegou até mesmo a fundar um laboratório de pesquisas aqui em Cinnabar, por favor! Não há como discutir o quanto subimos de vida. Hoje, graças aos meus amigos Plasmas e seu braço, os Rockets, sou um líder de ginásio. E além disso, estamos prestes a gerar o Pokémon mais forte que já existiu, totalmente à nossa disposição e bem no laboratório embaixo de minha própria casa. O projeto Mew-2 já nos gerou uma série de problemas ao tentar replicar completamente o DNA de Mew, produzindo aquelas formas estranhas que o pobre Carvalho classificou como um novo Pokémon. De qualquer jeito, o projeto foi remodelado desde então. Decidimos manipular o DNA de forma mais firme, e o resultado está prestes a ser finalizado. O espécime 150, também chamado pelos Rockets que trabalham aqui na mansão como “Mewtwo”, já tomou forma e os níveis psíquicos são altíssimos. Em breve mudaremos o mundo.

     As páginas foram até o fim, chegando à última página, a qual continha apenas poucas frases.

     Mewtwo era muito poderoso. Fuji estava certo todo esse tempo. Eu vi o horror e a crueldade nos olhos daquela criatura, e... minha mansão está destruída. Os Rockets sumiram. Não sei se consigo aguentar tudo isso.

     E não havia mais nada. Kari ficou parada por algum tempo, encarando o livro como se houvessem respostas ocultas na tinta. Olhou ao redor, como se esperasse uma mancha rosa ao seu lado. No entanto, não havia nada. Ela respirou fundo e se virou, saindo da mansão com os pés batendo com força no chão.

     Alguns minutos depois, chegou ao ginásio. Foi direto até as portas duplas e bateu com força, gritando a plenos pulmões.

     - BLAINE! BLAINE, EU SEI DE TUDO! FUJI, MEWTWO, OS ROCKETS! ME DEIXE ENTRAR! - Ela parou para respirar, com a mão apoiada no metal quente.

     De repente, ouviu um clique do outro lado. 

domingo, 7 de julho de 2013

RN Nuzlocke LG: Capítulo 33: Lendas vivas

RECINTO NERD NUZLOCKE - LEAF GREEN -

CAPÍTULO 33: LENDAS VIVAS

- Estou te dizendo, Kari. Precisamos cuidar do seu cabelo. - Disse Sophie, avançando contra as ondas que se punham em seu caminho. Estavam no meio da rota 20, um caminho que passava pelo mar aberto. Kari estava sentada no casco com as costas apoiadas no pescoço da Pokémon, lendo uma revista de atualidades enquanto escutava música com apenas um fone de ouvido, distraidamente. Estavam nadando pelo sul de Fuschia, se encaminhando para a ilha de Cinnabar. A garota apenas murmurou em concordância e virou a página.


- Você está me ouvindo? -Reclamou a Lapras, parando seu movimento bruscamente. Kari quase caiu em resposta, tendo que se segurar desesperadamente nas protuberâncias do casco para não afundar na água. A revista deslizou lentamente pela superfície rochosa e caiu delicadamente no mar, boiando e finalmente afundando.


- Sophie, qual é o seu problema? - Gritou a treinadora, se esforçando para voltar até onde estava.


- Você não estava me escutando. Logo, tive de tomar medidas drásticas para chamar sua atenção. Não me culpe, pois a culpa é totalmente sua. - Disse calmamente a Lapras, voltando a nadar lentamente. - E antes que você tente dar um ataque. - Adicionou ela, sentindo o que vinha pela frente. - Devo lhe lembrar que estamos no meio do oceano, e sua única companhia e forma de locomoção sou eu. Posso muito bem ficar parada até você decidir cooperar.


A garota a encarou, irada, até que se acalmou forçadamente. Infelizmente a Lapras estava certa. - O que você queria? - Resmungou, apoiando as costas no pescoço comprido da Pokémon, ajeitando os ombros.


- Eu estava falando do seu cabelo. Há quanto tempo você não cuida dele? - Kari passou a mão por seus fios, encontrando-os duros e embaraçados. Se envergonhou um pouco.


- Acho que você tem razão.


- É claro que tenho razão. Veja, seu corte é muito bonito e talvez seja uma coisa que chame a atenção de um possível interesse romântico. - Kari sorriu, até a Lapras continuou. - Eu cuidaria mais dele, já que sua personalidade e seu corpo não devem atrair ninguém que não esteja desesperado. E lembre-se: ainda estamos sozinhos no meio do oceano. Cuidado com o que vai fazer. - Acrescentou, e a garota voltou a se sentar. A treinadora encarou o mar com a testa franzida. Já estavam no mar havia três dias, e mais um pouco disso iria deixá-la louca. Se perguntou novamente quanto tempo demoraria para chegarem a Cinnabar.


Nadaram por mais algumas horas, felizmente em silêncio. O sol já começava a se pôr no oeste, lançando um tom alaranjado ao oceano. Naquele momento, perceberam que vários nadadores e seus Pokémon estavam indo na direção oposta a deles, parecendo apressados. Pararam uma garota loira, perguntando o que estava acontecendo.


- Há uma tempestade vindo. - Disse ela, agarrada à sua Seadra. - Todos os treinadores devem voltar à Fuschia e aguardar até que ela passe. - Kari considerou ficar mais tempo sozinha com Sophie, e estremeceu.


- Não há outra forma? - Perguntou a garota. Sua Lapras se adiantou.


- Que eu saiba, as ilhas Espuma do Mar estão próximas. Talvez possamos ficar lá até as coisas melhorarem. - A nadadora pareceu empalidecer.


- Ah, vocês não irão gostar de ir para lá. - Começou ela. -  Faz alguns meses que... histórias vêm daquele lugar. O frio na região aumentou drasticamente, e dizem que há um Pokémon que ninguém jamais viu antes aterrorizando o lugar. - Sophie riu em desprezo.


- Aterrorizando o lugar? Querida, nós queremos conquistar a Liga Pokémon. Uma história de fantasma não irá nos assustar. O que acha, Kari? - Perguntou, se virando para trás. A garota acenou com a cabeça, concordando. Quanto mais tempo demorassem, pior seria para todos. Principalmente para ela.


- Bem, é a vida de vocês. Não sou eu quem vou me responsabilizar. - Disse a nadadora, se afastando deles. A Lapras alterou o caminho, seguindo a noroeste de onde estavam. Ao longe, a tempestade era claramente visível, uma mancha negra e raivosa se aproximando. As ondas começaram a ficar mais agitadas, e Sophie aumentou a velocidade. Quando Kari e sua Pokémon chegaram à praia das ilhas Espumas do Mar, pequenas gotas de água já caíam rapidamente. A treinadora recuou Sophie para a Pokébola e entrou numa caverna próxima, correndo para evitar a chuva.


Dentro da formação natural, o frio era tremendo. As paredes estavam cobertas de gelo grosso, e a respiração da garota automaticamente fazia névoas geladas ao seu redor. Kari começou a tremer assim que colocou os pés na caverna, esfregando as mãos nos braços enquanto tremia incontrolavelmente. Pensou em voltar para o ar livre, mas a chuva apertou no momento em que girou o corpo. As coisas estavam ruins dos dois lados.


Ela começou a andar pelo cenário, olhando ao redor. Percebeu que haviam figuras no gelo, e quando se aproximou percebeu que eram Pokémon. Dewgongs, Seels, Golbats... não havia nenhuma forma de vida fora das prisões de cristal. Kari sentiu o coração apertar e algo frio descer pela garganta. Havia realmente algo de estranho nas Espumas do Mar.


Um grito agudo surgiu à frente, e ela se virou assustada. Uma mancha azul estava se aproximando, tão rápida que parecia um borrão. A garota correu para longe, sentindo o vento quase levantá-la quando a figura passou. Ela caiu no chão, estendendo os braços para proteger o rosto. Levantou a cabeça e olhou para cima, sem conseguir acreditar no que estava vendo.


Em frente a ela estava um Pokémon semelhante a um pássaro, com uma envergadura tão grande que poderia conter uma dúzia de pessoas deitadas. Suas penas azuis eram majestosas e brilhantes, e todo o corpo parecia exalar cristais de gelo. O lendário Pássaro do Gelo, Articuno, estava a encarando com seus olhos frios e vermelhos.


Kari não se moveu de início, tentando compreender a situação. Para ela, a Trindade dos Pássaros era apenas uma lenda esquecida. Articuno deveria pertencer a um livro de contos, e não à realidade. No entanto, lá estava ele, pousado em uma rocha, tão frio que o objeto congelava ao menor toque. O Pokémon lendário inclinou a cabeça e soltou outro grito que ecoou fundo na caverna. O som apavorou Kari, que sentiu como se uma mão fria a estivesse apertando pela garganta. Com os olhos arregalados, ela viu Articuno se preparando para avançar.


A garota saltou para o lado, evitando o pássaro que acabou acertando a superfície, destruindo-a no processo. Um pequeno terremoto se seguiu ao ataque, despedaçando o chão embaixo dos pés de Kari. Ela caiu, balançando os braços no ar enquanto virava para baixo, encarando o riacho semi-congelado que corria vários metros abaixo. Mesmo com a força do vento que agia em seu corpo, ela colocou a mão no cinto, agindo quase que por instinto.


- KENICHI, VÁ! - Gritou ela, lançando a Pokébola para sua frente. Seu Charizard foi invocado no cenário, e a treinadora caiu em cima dele. Kenichi acompanhou um pouco a descida até conseguir planar pelos ares, olhando para os lados e evitando os destroços do andar superior.


- O que está acontecendo? - Gritou ele. Antes que Kari pudesse responder, um grito agudo foi ouvido de longe. Os dois se viraram e perceberam o Pokémon Lendário no encalço deles.


-Kenichi, ele é Articuno, da Lendária Trindade dos Pássaros! Se quer meu conselho, VAMOS FUGIR! - O Charizard nem questionou esse pedido, disparando pela caverna. Raios de gelo tentavam os alcançar, mas Kenichi manobrou para os lados, desviando às vezes por um triz. Kari se mantinha agarrada ao seu pescoço, tremendo com o vento frio e forte. - Por cima! Por cima! - Gritou ela. Seu Pokémon se alçou para o teto, mirando a abertura destruída. Antes que alcançasse, porém, Articuno disparou um raio de gelo no buraco, tapando-o completamente.


Kenichi conseguiu desacelerar a tempo, girando o corpo e abrindo as asas para apoiar os pés no cristal, ficando de ponta-cabeça. Kari quase caiu no processo, sentindo as pernas balançarem sem suporte no ar gélido.


- Kari, não vamos conseguir fugir daqui sem luta. Eu vou acabar com ele! - O Charizard mergulhou, planando até ficar de frente para o Pokémon Lendário, do outro lado da caverna.


- O quê? - Questionou a garota. - Kenichi, devo-lhe dizer que estamos encontrando uma espécie de lenda na nossa frente. Há um motivo para ele ser chamado assim. - Seu Pokémon pousou em uma pedra e abriu as asas, soltando vento quente pelas suas narinas.


- Kari, não se preocupe. Um dia vão falar a mesma coisa de nós. - A treinadora não conseguia enxergar o rosto do Charizard, mas por algum motivo sabia que ele estava rindo. Engoliu em seco, se ajeitando no pescoço dele. Realmente, não havia outra escolha.


- Espero que você sabia o que está fazendo. - Não houve resposta do outro lado, enquanto o pássaro de gelo gritava. Ele e o Charizard dispararam ao mesmo tempo, voando um de encontro ao outro e ambos lançando raios elementares de sua boca. - VAAAAI! - Gritou Kari, se esforçando para ficar de olhos abertos. Um jorro de chamas estava à sua frente, tão grande que o adversário não era visível do ponto onde estavam. Fogo encontrou o gelo no ar, lançando névoa quente para o teto da caverna. O jato vermelho atravessou o outro, acertando Articuno em cheio. As chamas logo se esvairiram, e a região ficou enevoada demais para conseguirem ver alguma coisa.


- O que houve? Vencemos? - Perguntou Kenichi. Kari olhou para os lados, tentando enxergar alguma coisa. Um vulto grande apareceu em seu campo de visão, e ela apertou os olhos para poder ver melhor. Conseguiu perceber o Articuno ferido, pousado em uma grande rocha. No entanto, havia mais alguém com ele. Uma figura pequena, parecida com um gato com cauda longa, estava com a pequena pata encostada na cabeça do pássaro. Mesmo através de toda a névao, Kari conseguiu notar seus olhos, grandes e azuis, a encarando. Algo frio desceu pela sua espinha e ela piscou. Quando reabriu os olhos, eles não estavam mais lá. Ao redor da treinadora e de seu Pokémon, o gelo começava a derreter, causando chuva na caverna.


- O que foi isso?- Perguntou Kari, estupefata. Havia algo a mais naquele... ser que tinha visto. Ele não parecia normal. Seria um Pokémon? Ou algo a mais? Se lembrou da descrição de Fuji sobre suas pesquisas, e sua mente ficou com mais dúvidas.


Havia Mew aparecido diante deles? E, se tivesse, o que teria feito? Onde estava Articuno e o que ele tinha feito com o Pássaro?


A chuva artifical caía ao redor da garota e do Charizard, quase tão volumosa quanto a de verdade que tempestuava o lado de fora.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

RN Nuzlocke LG - Capítulo 32: O Melhor dos Líderes

RECINTO NERD NUZLOCKE - LEAF GREEN - 

CAPÍTULO 32: O MELHOR DOS LÍDERES

Kari estava parada em frente ao ginásio, admirando as gigantescas portas duplas que delimitavam a área do ginásio de Fuschia. Ela se aproximou para bater na porta, mas antes que fizesse isto os portões começaram a se abrir lentamente, revelando uma pequena garota parada na área interna.

- Meu pai está esperando você. Vamos. - Ela vestia um shozoku negro e decorado com uma longa capa rosa que era quase de seu tamanho. As duas caminharam pelas pequenas estradas de terra, se dirigindo até o prédio principal. - Foi você quem ajudou meu pai a acabar com os Rockets, não é? - Perguntou a garota.

- Sim. - Respondeu Kari. 

A garota não respondeu, apenas continuou andando. Chegaram até um prédio grande, com dois pilares decorados com Pokébolas dos dois lados da porta. A filha de Koga olhou para baixo e pareceu nitidamente envergonhada.

- Obrigada. - Grunhiu baixinho, e em seguida encarou Kari com um olhar ameaçador. A treinadora deu um passo para trás, assustada, até que a garota saltou para o alto, pulando na parede e em seguida para as árvores, sumindo de vista.

- Não se preocupe. Ela realmente está grata. - Disse uma voz perto da porta. Kari se assustou novamente e olhou para os portões, percebendo que eles estavam misteriosamente abertos. Na pequena fresta entre as portas, havia um homem alto e sério encarando-a com os braços cruzados. Koga.

A garota sentiu o clima ficar imediatamente tenso assim que o líder de ginásio a encarou, fitando-a através de seus olhos determinados. Kari fez de tudo para retribuir a sensação, e os dois não piscaram nesse tempo. A treinadora sentia o corpo tremer levemente, mas se esforçou para manter a expressão. Finalmente, Koga deu um pequeno sorriso, e entrou no prédio. Kari suspirou levemente, e o acompanhou.

A arena era composta de um piso semelhante a um tatame roxo, cercado por paredes altas. Koga estava do outro lado, em sua posição, silencioso como uma pedra. Kari se apressou para ficar em seu lugar.

- Como você percebeu, não sou um líder que irá ficar conversando com você. Meu trabalho é simples, independente do que você fez para Saffron. Irei, com todos os meios possíveis, te derrotar. Está preparada?

A garota sentiu o coração bater forte, e concordou com a cabeça. Koga balançou o braço e uma Pokébola surgiu magicamente em sua mão. - Desespere-se com o horror. Bakudan. - Um Koffing foi conjurado na arena.

- Sara, vá! - A Sandslash mal havia saído da Pokébola quando Kari gritou: - Como planejamos, agora! - Sua Pokémon saltou até o teto, arrancando pedaços do telhado em pleno ar e os jogando contra o adversário. Bakudan foi atingido em cheio, e antes que pudesse reagir Sara saltou em cima dele, se apoiando em uma das telhas que ainda estava em contato com o corpo do Koffing para se impelir novamente ao teto, desta vez fincando os dois pés na parte superior. Ela mirou por alguns instantes e se jogou contra Bakudan, girando o corpo em uma bola de espinhos e o acertando com força, fazendo-o desmaiar.

- Interessante. - Foi tudo o que Koga disse, e agarrou outra Pokébola. - Doku-numa, mostre a ela o verdadeiro terror do ginásio de Fuschia. - Um Muk apareceu no local, e se moveu lentamente até o centro. Kari recuou Sara e liberou Liz para a batalha.

- Liz! O golpe que treinamos! - A Wigglytuff colocou as mãos nas têmporas, e uma onda de choque rosa se originou da região de seu crânio para acertar o Muk, que recuou disforme.

- Doku-Numa. Se minimize. - Ordenou Koga. A substância que formava o corpo de seu Pokémon se alterou, e ele diminuiu drasticamente de tamanho. Kari arregalou os olhos ao perceber que a cor do Muk era igual à do tatame, fazendo-o se camuflar completamente na arena. Engoliu em seco

- Liz, tente de novo!. Sua Pokémon até tentou, mas não tinha certeza de que tinha acertado. 

- Se minimize novamente. - Disse a voz de Koga. Se já estava difícil acertá-lo antes, desta vez era pior. Liz chegou a tentar atacar novamente, sem resposta. - Agora. Ataque. - Um jato de veneno acertou a Wigglytuff no rosto, fazendo-a tombar para trás.

- LIZ! - Gritou Kari, se virando para Koga. - Isso é trapaça!

- Trapaça? Como eu disse, garota, estou aqui para derrotá-la de todas as formas que consigo. Se não consegue me vencer apenas pela cor que pinto o piso, temo que não sirva para ser a Campeã. - A treinadora rangeu os dentes, sentindo o corpo tremer. - Ah, e lembre-se de uma coisa. - Continou o líder de ginásio. - Embora meu Pokémon esteja com seu tamanho diminuído, seus golpes não perderam a força. Como sua Wigglytuff pode notar.

- Liz, você está bem? - Perguntou Kari. A Pokémon se levantou com dificuldade, e a garota percebeu a expressão abatida dela.

- Eu... não sei. Me sinto doente. - A treinadora sabia o que isto significava. O golpe de Koga havia envenenado Liz, e agora a batalha havia se tornado muito mais difícil.

- Liz, tente de novo! - Gritou a garota, sentindo o tom de desespero em sua voz. Novamente, a Wigglytuff tentou, e novamente não obteve sucesso. Outro jato de veneno a acertou pelo lado, fazendo-a cair com força no chão. Kari sentiu o coração parar de bater por alguns instantes, até perceber que a sua Pokémon tremia lentamente. - Volte! - Exclamou, recuando Liz para a Pokébola.

- Hmpf. - Koga fez um muxoxo, ao qual Kari reagiu grunhindo os dentes. Percebia agora a verdadeira dificuldade em lutar no ginásio de Fuschia. Seu líder sabia utilizar o ambiente.

- Sara, acabe com ele. - A Sandslash foi liberada novamente, e ela voltou a saltar para o telhado, esquadrinhando a arena atentamente. Um jato de veneno a acertou do chão, e ela quase caiu de onde estava. No entanto, Sara limpou a mancha roxa com as costas das garras e disse em voz baixa:

- Achei. - Ela se impulsionou para o piso, girando o corpo novamente em uma bola de espinhos. Acertou uma área específica do chão, e Kari percebeu aliviada que pequenas manchas roxas voaram pelo ar nos segundos seguintes ao impacto. 

- Saia daí. - Disse Koga com a voz séria. Um jato de veneno saiu da região embaixo de Sara, que voou longe pelo golpe. O líder de ginásio aproveitou o momento para jogar um pequeno frasco pelos ares, que caiu bem em cima de seu Pokémon.

- O que pensa que está fazendo? - Gritou Kari. 

- Pelas regras delimitadas pela Liga, eu posso utilizar de itens limitados para a cura de minha equipe. Se quiser, quando sair daqui leia o que precisar. - Kari sentiu o sangue ferver. Olhou de relance Sara, e se assustou ao ver que ela estava com a mesma expressão doente de Liz. Havia sido envenenada também.

- Sara, sem descanso! - A Sandslash se levantou, e voltou ao teto. Mirou o adversário e se jogou contra ele, acertando-o novamente. Sem nem oferecer um segundo de descanso, ela saltou para cima de novo, voltando a atacar o Muk.

- Doku-Numa, a armadura. - Disse Koga. Sara subiu ao teto novamente, voltando a atacar o adversário. Desta vez, no entanto, as poças roxas não voaram.

- Sara, você o acertou? - Antes que a Pokémon de Kari respondesse, ela foi impulsionada para o alto por um novo jato de veneno, caindo pesadamente de costas no chão. A garota a encarou, apavorada, vendo o pequeno tórax da Sandslash subindo e descendo como um foile em busca de ar. - Volte! - Gritou, recuando-a para a Pokébola.

- Quantos Pokémon você prefere sacrificar antes de assumir a derrota? Pois se sua Wigglytuff ou sua Sandlsash retornarem, elas serão derrotadas antes de qualquer ação. - Disse Koga. Kari mordeu a língua, contendo uma resposta mal-educada, se pondo a pensar furiosamente. Ele tinha razão, concluiu, não poderia jogar toda a sua equipe na arena de qualquer jeito. E Koga ainda tinha dois Pokémon não usados. Ela precisaria de alguém que pudesse achar o Muk sem precisar dos olhos, mas para isso precisaria de um... radar?

- Zelda, eu escolho você! - Gritou, liberando sua Golbat. Pôde ver uma minúscula reação nos olhos de Koga, e isso foi o suficiente para angariar confiança novamente. - Acabe com ele! 

Um outro jato de veneno a acertou, mas a Golbat nem se importou. Voou de forma rasante e abriu a boca, provocando um ruído agudo. Kari notou uma substância roxa se remexer no tatame, e ela sentiu o coração bater mais forte.

- Ali! - Gritou, apontando para a região. Zelda voou em um círculo, acumulando energia para atacar com força o Muk, fazendo-o voar para longe com sua asa. O corpo do adversário se espatifou na parede, e ele ficou claramente incapaz de continuar lutando.

- Kyu, vá! - Disse Koga, lançando outro Koffing à arena. Kari recuou imediatamente sua Golbat, e segurou uma Pokébola com força. Precisava acabar com isso da forma mais rápida possível, pensou. Não poderia deixar o adversário ter chance de formular uma estratégia.

- KENICHI, ACABE COM ELE! - Gritou, conjurando seu Charizard para a batalha. Ele respirou fundo e projetou uma violenta rajada de chamas, envolvendo o Koffing por inteiro. Quando terminou, o adversário estava caído no chão, derrotado.

- Daburu! - Pela primeira vez na batalha, Kari notou a apreensão na voz de Koga. Ele lançou um Weezing para a arena, e a garota sabia que era seu último Pokémon.

- Kenichi, você sabe o que fazer! - O Charizard soltou outra onda de chamas, e o Weezing liberou uma fumaça negra e densa na arena, encobrindo a visão de Kari e seu Pokémon. no meio da escuridão, a treinadora ouviu o som dos frascos de Koga, e percebeu que o Daburu estava cem por cento novamente. - Ele se curou! Kenichi, não deixe ele atacar!

Kenichi girou a cabeça e atacou uma área ampla, e os dois ouviram o som do Weezing ferido em resposta. O Charizard em seguida respirou fundo, inclinando o corpo para trás enquanto arqueava as asas. Enquanto ainda segurava a respiração, ele as jogou violentamente para a frente, e o deslocamento de ar decorrente limpou a arena da fumaça, revelando o solitário Weezing. 

- ELE ESTÁ ALI! - Gritou Kari. O Charizard se virou e soltou todas as chamas que estava contendo, acertando quase um quarto da arena com seu golpe. As chamas rebeldes engulfaram o  adversário e quase derretaram as paredes do prédio, preparado meticulosamente para Pokémon de fogo. Quando as labaredas se extinguiram, o Weezing estava em um canto, derrotado.

Um som de palmas preencheu o recinto, e a garota se virou para ver Koga aplaudindo lentamente. - Você provou o seu valor de forma exemplar. - Disse ele, balançando o braço. Um pequeno objeto foi lançado contra a treinadora, que o agarrou em pleno ar. Quando ela abriu a mão, viu que era um artefato parecido a um coração com um risco no centro. - Esta é a Insígnia da Alma. O interior dos meus adversários é algo que eu valorizo muito. E acredito que você tenha o necessário para seguir em frente em sua viagem.

- Obrigada. - Disse Kari. Ela e Koga se inclinaram em respeito e a garota saiu, sentindo um peso sair de suas costas. Os dois piores treinadores haviam passado, e ela havia os vencido com louvor. 

Agora o Ginásio fechado de Cinnabar estava em seu caminho.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

RN Nuzlocke LG - Capítulo 31: Poderes psíquicos

RECINTO NERD NUZLOCKE - LEAF GREEN - 

CAPÍTULO 31: PODERES PSÍQUICOS

Kari e sua equipe estavam andando pelos corredores do ginásio de Saffron, cercados pelas paredes roxas e azulejos azuis que decoravam o piso. Sabrina estaria esperando em uma das salas, segundo o porteiro do edifício. Enquanto caminhavam, Kari fitou Kenichi, que seguia à frente silencioso. Ele havia ficado assim durante o mês de treinamento, e embora a garota respeitasse o luto do companheiro, estava começando a ficar preocupada. Havia esperado que ele melhorasse quando estivesse prestes a lutar novamente, mas essas esperanças pelo visto tinham sido desperdiçadas. Caminhou um pouco mais rápido, se colocando ao lado do amigo.

- Kenichi... você está bem? - Não houve resposta do outro lado. - Acredite, eu sei como você se sente. Wanda também estava comigo quase desde o início, e --

- Kari. Você não sabe. - Ele virou a cabeça, encarando-a sem emoção nos olhos. - Desde que eu me dou por gente, Wanda me empentelhava. Nos conhecemos bem cedo. Sempre tentei me afastar dela, mas nunca disse... esqueça. - Ele voltou a cabeça para frente. - Por favor, me utilize na batalha contra Sabrina. Preciso desanuviar a cabeça, e não conheço jeito melhor do que numa luta.

A garota concordou com a cabeça, triste. Era estranho ver o Charizard do jeito que estava. Rezou para que ele voltasse ao normal com a batalha. Não teve muito mais tempo de pensar nisso, pois haviam chegado à arena ao atravessar uma imponente porta dupla de vidro automática. Estavam no topo de uma escadaria que terminava em uma grande área com o símbolo da Pokébola no centro. Do outro lado existia apenas uma pequena escadaria em caracol que dava em um corredor apertado. Sabrina estava parada na entrada dessa galeria, olhando calmamente Kari descer, de braços cruzados.

- Tive uma visão de sua chegada, Kari. - Anunciou a líder de ginásio.

- Bem, espero que tenha terminado com a minha vitória. - Riu a garota. Sabrina sorriu em resposta, e começou a descer os degraus com a mão direita deslizando pelo corrimão.

- Eu prefiro não verificar isso. O futuro é uma coisa bastante volátil, e se eu prever algo que dependa de mim, talvez isto não seja verdade no fim das contas. Pode parecer estranho, mas acredite: estudei o bastante para compreender isto. Meu próprio ginásio serve como uma instalação de pesquisa. Tenho esses poderes desde criança, e usei o dinheiro que recebo da Liga para manter este lugar. Videntes de toda Kanto vêm para cá treinar suas habilidades, e se aprofundar nos mistérios da mente. - Ela terminou o discurso abrindo os braços, e as luzes se ligaram neste exato momento. Kari tapou os olhos com a mão e, quando voltou a enxergar, viu que a equipe de Sabrina já estava ao lado dela. Haviam um Alakazam, um Mr.Mime, um Venomoth e um Kadabra. Todos encaravam sua equipe com olhares ameaçadores. - Embora você tenha prestado um serviço imensurável à minha cidade, receio que não irei... pegar leve. O meu orgulho como líder de ginásio é maior do que minha gratidão.

- Eu não esperava o contrário. - Disparou Kari, se posicionando em seu lugar na arena. Sabrina juntou as mãos, e seus longos cabelos começaram a esvoaçar. As luzes falharam por alguns segundos, e todo o ambiente parecia se encher de vento. Kari arregalou os olhos e protegeu a cabeça até o fim do evento, quando a líder de ginásio deixou a cabeça pender no peito. Um segundo se passou, parecendo eras, e ela voltou a erguer o queixo, a encarando sem nenhuma serenidade anterior e com uma expressão muito mais séria e focada.

- Irei-lhe mostrar todo o meu poder, Kari. - Até sua voz soava diferente. A garota engoliu em seco e agarrou uma Pokébola, tentando se controlar. Respire, pensou ela. São jogos de luzes e vento. Ela precisaria mostrar seu potencial no combate, onde jogos mentais não seriam o suficiente.

- Vá, Zelda!

- Lucius! - A Golbat e o Kadabra dispararam um contra o outro.  Antes que o outro Pokémon fizesse algo, Zelda se adiantou e o mordeu no pescoço. - Dê a ela um gosto do futuro!

Os olhos do Kadabra brilharam em roxo, e Kari sabia o que isto significava. A memória da batalha com Gary ascendeu em sua mente, e ela sentiu o gosto amargo do medo em seus lábios. Precisava terminar essa batalha rápido.

- Morda ele logo, Zelda! - Sua Pokémon se adiantou e voltou a morder o pescoço do Kadabra, desta vez fazendo-o desmaiar. A treinadora aproveitou o momento e recuou a Golbat, temendo que o golpe futuro viesse para ela. 

- Isso que eu sinto é... medo, Kari? - Perguntou calmamente Sabrina, chamando seu Mr. Mime para a arena. A garota sentiu o sangue ferver, e tateou seu cinto em busca de uma Pokébola.

- Agora não é mais. - Kari conjurou sua Sandslash, que pisou com os dois pés no centro do campo de batalha. - Sara, como treinamos! Pelo alto!

Sua Pokémon saltou ridiculamente alto, ficando de ponta-cabeça para apoiar os dois pés no teto. Ela olhou para baixo, mirando o adversário, e saltou de encontro a ele, girando o corpo para virar uma bola rotatória de espinhos. Acertou o Mr.Mime em cheio, derrubando-o.

- O que acha disso agora? - Perguntou a garota. Sabrina levantou minimamente a sobrancelha, inclinando a cabeça para sua Venomoth avançar.

- Seu tempo acabou, Kari. - Sara encarou o Pokémon inseto que se aproximava, e de repente um raio roxo foi conjurado no ar e acertou a Sandslash, que foi derrubada.

- SARA! - Gritou a treinadora, quase se adiantando para vê-la. Sara se levantou com dificuldades do golpe, mas Kari não estava no clima de arriscar. Recuou sua Pokémon e conjurou Kenichi. - ACABE COM ELA RÁPIDO, KENICHI!

O Venomoth o acertou antes com um estranho raio rosa, mas o Charizard soltou uma imensa rajada de chamas, que quase pôs fogo em toda a arena. O adversário caiu, sem nenhuma chance de reação.

- Acho que agora é a hora de colocarmos os pesos-pesados em campo, não? Lars, sua vez. - O Alakazam se adiantou, projetando uma aura de imponência ao seu redor. Kari fez Kenichi recuar, visto que ele já havia soltado tudo que tinha. 

- Na verdade, agora é a hora de estrear certas pessoas. Sophie, mostre para ela! - Uma Lapras saiu da Pokébola, e pousou com força na arena. Ela olhou para os lados, franzindo a testa, até se virar para Kari.

- Sério? Não há uma poça d'água aqui e mesmo assim você me chamou? Qual é o seu problema, garota? Qual a parte de eu ser uma Pokémon que vive majoritariamente nos oceanos você não entendeu? Tem dificuldades de aprendizado? Sua mãe te deixou cair do berço? 

- Eu... - A garota estava esperando uma reação assim, mas foi pega de surpresa de qualquer jeito. - Você não disse que queria participar de uma batalha de ginásio?

- Sim, mas eu realmente preciso sublinhar tudo que eu falo para você? Me diga, como eu vou me movimentar aqui? Não vá esperando que eu role para desviar dos ataques, não? Sinceramente, como você espera ser a Campeã se comete erros tão grotescos? Sabe, --

- Lars, por favor acabe logo com isso. - Ordenou Sabrina. O Alakazam conjurou um raio rosa de suas mãos e o lançou contra a Lapras. Sophie recebeu o impacto e se virou, irada, lançando um jato de gelo contra o adversário.

- Você tem um problema de má-criação, sua inconsequente? Eu estou no meio de um discurso, e mesmo assim você me ataca? Onde foi criada, em uma fazenda? Escute aqui, eu estou ensinando à minha treinadora que o ideal é que eu fosse conjurada em cenários com uma quantidade suficiente de água para me deslocar. Só que o problema também é seu. Que tipo de líder de ginásio é essa que não oferece um local próprio para Pokémon aquáticos lutarem? Sua falta de consideração me enoja.

- Oh, céus. - Suspirou Sabrina, e seu Alakazam voltou a atacar a Lapras, que voltou a contra-atacar com o raio de gelo, desta vez derrubando de vez o adversário.

- Eu não acabei. Veja -- No entanto, Kari a fez voltar para a Pokébola. Isso provavelmente vai ser mais complicado do que eu pensei, concluiu a garota, que se voltou para a líder de ginásio. Sabrina estava balançando a cabeça, e um singelo sorriso emanava de seu rosto.

- Seus métodos são heterodoxos, Kari. Só que isso, de alguma forma, te favorece. Parabéns. - Ela retirou uma pequena caixa metálica do cinto, e a abriu para a garot.a - Você conquistou a Insígnia do Pântano. - Um pequeno ornamento estava dentro do recipiente, e se assemelhava a um disco redondo dourado, com um outro círculo desenhado em seu interior. A treinadora pegou a insígnia, se sentindo aliviada e feliz ao mesmo tempo.

- Obrigada.

- Não agradeça ainda. Seu maior desafio ainda está por vir. Koga é o melhor líder de ginásio de Kanto, e seu renome é tão grande que, assim que a Elite dos Quatro abrir novas inscrições, ele é o mais cotado. Saiba disso.

- Eu sei. - Ela sentia algo se remexendo em seu estômago, mas mesmo assim estava esperançosa. Sabrina captou esse brilho no olhar da garota, e sorriu novamente.

- A propósito, eu havia previsto minha derrota. Mesmo assim, dei o melhor de mim. Estou sinceramente surpresa em ver o quanto você evoluiu, Kari, e espero poder assistí-la no Platô Indigo.

- Você previu isso? - Zombou a treinadora.

- Todos nós temos alguma espécie de poder psíquico, Kari. É algo que aprendi em meus anos de pesquisa. No entanto, a arte de prever o futuro é uma das mais difíceis de se entender. Eu não enxergo cenas, mas sim sentimentos, e mesmo assim eles são facilmente alterados. Portanto, se você realmente quiser que seu futuro se concretize, a única pessoa capaz de fazer isto acontecer é você mesma.

A garota sorriu, e se despediu de Sabrina. Ela voltou às ruas de Saffron, respirando o ar poluído da cidade e absorvendo seu caos natural, enquanto tentava se focar no próximo objetivo.

Pois Koga, líder do ginásio de Fushcia, seria o maior desafio até agora.